segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa. Tá com tudo e não tá prosa.

O PAPIRO selecionou alguns artigos que ajudam o caro leitor a entender o que está em jogo com o circo violento e autoritário do julgamento do ação penal 470.

Certamente o caro leitor não encontrará na velha mídia análises e fatos como os apresentados nos artigos abaixo, já que, como todos sabem, a velha imprensa é parte da farsa montada .

Em um breve resumo , tudo começou no primeiro semestre de 2005 com o objetivo de derrubar Lula da presidência, ou na pior das hipóteses, impedir sua reeleição em 2006. Não deu certo. Lula não caiu  e ainda foi reeleito. 

A ação penal 470 seguiu seu caminho no judiciário, que como o caro leitor poderá constatar nos artigos abaixo, foi devidamente construída e lapidada pelo moralismo autoritário com o claro intuito de criminalizar os réus, principalmente aqueles do PT, e para isso fatos foram ocultados  e teses mirabolanteas construídas.

Durante o processo de construção e lapidação tivemos as eleições de 2010, onde a AP 470 não tinha visibilidade para ser usada contra o candidato do PT. Tanto foi assim , que os assuntos discutidos durante a campanha se deslocaram para temas da idade média, com direito a cenas de religiosidade explícita, protagonismo de delirantes pastores nos debates, romarias e peregrinações a locais de religiosidade conhecida, além , claro, de factóides montados pela velha mídia na tentativa de favorecer o candidato da oposição. Mais uma vez o PT venceu, mesmo com toda violência midiática durante a campanha.

Chega , então , o momento do julgamento da AP 470, neste ano, e o caro leitor acompanhou o espetáculo propocionado pelo STF com amplo apoio da velha mídia. Sim, não foi cobertura jornalística o que se viu, mas sim apoio as teses do STF, principalmente na figura de Barbosa, o moralista. A obsessão autoritária e raivosa em lograr exito na condenação dos réus foi se acumulando ao longo desses anos, a ponto de explodir , atualmente, através de expressões de autoritarismo, e ameça ao estado republicano com total desprezo pela democracia. Assim atuaram o STF e a velha mídia.

A capa preta oculta uma metralhadora , sempre pronta para ser disparada  e amplificada pelos decibéis da velha mídia na tentativa maior de derrubar o governo do PT nas próximas eleições. O proprietário da neolurdinha, já foi visto por diversas vezes, em fotos, em posturas amigáveis ao lado de políticos do PSDB e palhaços de programas de auditório da tv globo, porém durante a recepção ao Papa Francisco, por ocasião da visita do Pontífice ao país, o moralista autoritário se recusou, publicamente, em cumprimentar a Presidenta Dilma, como manda o protocolo,  em uma solenidade de recepção ao Papa no Rio de Janeiro. 

No processo em curso para as eleições de 2014, a velha imprensa vai tentanto construir um candidato com uma imagem de equilíbrio e honestidade, já que os candidatos de oposição patinam na lama da irrelevância. Ao que parece, o moralista salvador está gostando do apoio.

Mais uma farsa em andamento. 

Breno Altman: Barbosa serve à “alcateia de lobos famintos”



Joaquim Barbosa é um fora-da-lei

Por Breno Altman, no 247
O ministro Joaquim Barbosa tem oferecido fartas provas que seu comportamento, no curso da Ação Penal 470, destoa dos preceitos legais que jurou cumprir e defender. Mas foi às raias do absurdo nos últimos dias, ao ordenar a prisão de determinados réus através de medidas que confrontam abertamente as próprias resoluções do STF.
A decisão sobre os petistas José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, entre outros apenados, foi cristalina: deveriam começar a cumprir imediatamente sentenças sobre as quais não há embargos infringentes em discussão. Como nenhuma dessas condenações excede oito anos, as punições deveriam ser aplicadas, desde o primeiro minuto, em regime semiaberto. Mas os presos estão sendo vítimas de uma aberrante ilegalidade, submetidos ao sistema mais drástico de execução da pena, em regime fechado.
O mandado de prisão assinado pelo chefe do Poder Judiciário simplesmente não especifica a modalidade carcerária. Como é de supor que o ministro Barbosa seja mais capacitado que um estudante de Direito, somente se pode concluir que o país assiste a uma solerte manobra, cujo objetivo é humilhar os réus e açular a alcateia de lobos famintos que serve de fã-clube ao douto juiz.
Essa não foi, porém, a única arbitrariedade recentemente cometida por Joaquim Barbosa. Ao obrigar o traslado dos presos para Brasília, atropelou norma da Lei de Execuções Penais, que concede a qualquer réu o direito de cumprir pena em local próximo a sua moradia, ao seu trabalho e a sua família.  O ministro não esconde, também nesse ato, sua vontade de criar obstáculos e constrangimentos contra cidadãos pelos quais nutre o ódio dos déspotas.
Não há crime maior, na democracia, que a violação da Constituição e de direitos dos cidadãos por autoridades que têm obrigação de zelar e proteger o bem público. Cabe ao presidente da Corte Suprema o papel de guardião máximo dessas garantias constitucionais. Caracteriza-se crime de Estado quando, no desempenho de suas funções, autoridade desse naipe abusa do poder, rompe a legalidade, comanda perseguições e estabelece conduta de exceção.
Os advogados dos réus já ingressaram com petições contra estes ultrajes, que esperam ver revogados nas próximas horas. O que está em jogo, no entanto, são mais que prerrogativas das vítimas de um tirano togado. A democracia brasileira não pode aceitar atos dessa natureza e deve punir duramente os responsáveis por atentados contra o Estado de Direito.
O ministro Joaquim Barbosa passou dos limites. Associado ao que há de pior na imprensa e na sociedade brasileiras, produziu um processo farsesco, a revelia de provas e testemunhos, forjando uma narrativa que servia aos interesses da casa grande.
Havia, contudo, alguma preocupação em manter as aparências e em respeitar ao menos as formalidades legais. Dessa vez mandou às favas qualquer cuidado com a lei, a Constituição e o decoro.
A gravidade da situação vai além das obrigações técnicas de defensores profissionais. Diante da tirania, só cabe a repulsa e a indignação. Se necessário, a rebeldia. Oxalá os pares de Barbosa não subscrevam suas atitudes torpes. Se a coragem fosse um atributo da vida política brasileira, esse homem deveria estar respondendo por seus malfeitos.
Quanto mais passa o tempo, maior a sensação de que falta alguém lá na Papuda. O país não pode conviver com um fora-da-lei na presidência da Corte Suprema.
Breno Altman é jornalista, diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.
Fonte: VI O MUNDO
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Pizzolato revela na Itália dossiê que embaraça julgamento de Barbosa
O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato apresenta provas de que o dinheiro que deu origem à Ação Penal 470 no STF origina-se em uma empresa privada e não de um ente público, como afirma o relatório de Barbosa

Da Redação do Correio do Brasil, com colaboradores – de Roma, Rio de Janeiro e Brasília

O pior pesadelo do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que tem dado repetidas mostras de interesse pela vida política, começa a se transformar em realidade nas próximas horas, em Roma. O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato fará chegar às mãos de seus advogados italianos o relatório de perto de mil páginas, que o Correio do Brasil divulga, com exclusividade, no qual apresenta provas de que o dinheiro que deu origem à Ação Penal 470 no STF origina-se em uma empresa privada e não de um ente público, como afirma o relatório de Barbosa.
Para ocultar este fato, que coloca por terra o argumento que levou os réus na AP 470 ao Complexo Penitenciário da Papuda, segundo o dossiê apresentado por Pizzolato, que tem cidadania italiana, o então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza e o ministro Joaquim Barbosa criaram, em 2006, e mantiveram sob segredo de Justiça dois procedimentos judiciais paralelos à Ação Penal 470. Por esses dois outros procedimentos passaram parte das investigações do chamado caso do ‘mensalão’.
O inquérito sigiloso de número 2474 correu paralelamente ao processo do chamado ‘mensalão’, que levou à condenação, pelo STF, de 38 dos 40 denunciados por envolvimento no caso, no final do ano passado, e continua em aberto. E desde 2006 corre na 12ª Vara de Justiça Federal, em Brasília, um processo contra o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Cláudio de Castro Vasconcelos, pelo exato mesmo crime pelo qual foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.
Esses dois inquéritos receberam provas colhidas posteriormente ao oferecimento da denúncia ao STF contra os réus do ‘mensalão’ pelo procurador Antônio Fernando, em 30 de março de 2006. Pelo menos uma delas, “o Laudo de número 2828, do Instituto de Criminalística da Polícia Federal, teria o poder de inocentar Pizzolato”, afirma o dossiê.

Dinheiro da Visanet

Ainda segundo o relatório que Pizzolato apresentará, em sua defesa, na corte italiana, um tribunal de exceção foi montado no Brasil com o único objetivo de desmoralizar o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma clara tentativa de apeá-lo do poder antes do tempo. Embora o estratagema tenha funcionado ao contrário, com mais um mandato popular surgido das urnas ao líder petista, que em seguida elegeu a sucessora, Dilma Rousseff, o STF seguiu adiante e conseguiu que o ex-ministro José Dirceu e o deputado José Genoino (PT-SP) fossem conduzidos à prisão.
Pizzolato relata, em detalhes, as operações realizadas na campanha política de 2002 e suas ações na diretoria de Marketing do Banco do Brasil. No dossiê, ele contesta os documentos acatados como verdadeiros na AP 470.
“Observem bem a data em que foi escrita a carta mentirosa do “tucano” (Antonio Luiz Rios, ex-presidente da Visanet que hoje trabalha como consultor para a Rede Globo de Televisão) e dirigida aos peritos da PF, foi em 02 de fevereiro de 2006, período em que os advogados não tinham acesso a nenhum documento. E esta carta mentirosa do “tucano” ditou, influenciou e/ou moldou todos os pareceres, perícias e fundamentalmente a própria “denúncia” da Procuradoria Geral da República e do Ministério Público Federal (PGR/MPF), bem como a argumentação do relator Joaquim Barbosa que por sua vez “convenceu” o plenário do STF. Ninguém, repito, absolutamente ninguém, nem o PGR/MPF e nem o relator, deram-se ao trabalho de observar a regra básica de uma relação de mercado, o respeito ao contrato. Pois existia um contrato que normatizava a relação da Visanet com seus sócios, os diversos bancos, sendo o maior acionista da VISANET, o Bradesco”.
Em nove capítulos, Pizzolato também revela que, em março de 2006, quando ainda presidia o STF o ministro Nelson Jobim, a CPMI dos Correios divulgou um relatório preliminar pedindo o indiciamento de 126 pessoas. Dez dias depois, em 30 de março de 2006, o procurador-geral da República já estava convencido da culpa de 40 deles. A base das duas acusações era desvio de dinheiro público (que era da bandeira Visa Internacional, mas foi considerado público, por uma licença jurídica não muito clara) do Fundo de Incentivo Visanet para o Partido dos Trabalhadores, que teria corrompido a sua base aliada com esse dinheiro. Era vital para essa tese, que transformava o dinheiro da Visa Internacional, aplicado em publicidade do BB e de mais 24 bancos entre 2001 e 2005, em dinheiro público, ter um petista no meio. Pizzolato era do PT e foi diretor de Marketing de 2003 a 2005.
Barbosa decretou segredo de Justiça para o processo da primeira instância, que ficou lá, desconhecido de todos, até 31 de outubro do ano passado. Faltavam poucos dias para a definição da pena dos condenados, entre eles Pizzolato, e seu advogado dependia de Barbosa para que o juiz da 12ª Vara desse acesso aos autos do processo, já que foi o ministro do STF que decretou o sigilo.
O relator da AP 470 interrompera o julgamento para ir à Alemanha, para tratamento de saúde. Na sua ausência, o requerimento do advogado teria que ser analisado pelo revisor da ação, Ricardo Lewandowski. Barbosa não deixou. Por telefone, deu ordens à sua assessoria que analisaria o pedido quando voltasse. Quando voltou, Barbosa não respondeu ao pedido. Continuou o julgamento. No dia 21 de novembro, Pizzolato recebeu a pena, sem que seu advogado conseguisse ter acesso ao processo que, pelo simples fato de existir, provava que o ex-diretor do BB não tomou decisões sozinho – e essa, afinal, foi a base da argumentação de todo o processo de mensalão (um petista dentro de um banco público desvia dinheiro para suprir um esquema de compra de votos no Congresso feito pelo seu partido).
No dia 17 de dezembro, quando o STF fazia as últimas reuniões do julgamento para decidir a pena dos condenados, Barbosa foi obrigado a dar ciência ao plenário de um agravo regimental do advogado de Pizzolato. No meio da sessão, anunciou “pequenos problemas a resolver” e mencionou um “agravo regimental do réu Henrique Pizzolato que já resolvemos”. No final da sessão, voltou ao assunto, informando que decidira sozinho indeferir o pedido, já que “ele (Pizzolato) pediu vistas a um processo que não tramita no Supremo”.
O único ministro que questionou o assunto, por não acreditar ser o assunto tão banal quanto falava Barbosa, foi Marco Aurélio Mello.
Mello: “O incidente (que motivou o agravo) diz respeito a que processo? Ao revelador da Ação Penal nº 470?”
Barbosa: “Não”.
Mello: “É um processo que ainda está em curso, é isso?”
Barbosa: “São desdobramentos desta Ação Penal. Há inúmeros procedimentos em curso.”
Mello: “Pois é, mas teríamos que apregoar esse outro processo que ainda está em curso, porque o julgamento da Ação Penal nº 470 está praticamente encerrado, não é?”
Barbosa: “É, eu acredito que isso deve ser tido como motivação…”
Mello: “Receio que a inserção dessa decisão no julgamento da Ação Penal nº 470 acabe motivando a interposição de embargos declaratórios.”
Barbosa: “Pois é. Mas enfim, eu estou indeferindo.”
Segue-se uma tentativa de Marco Aurélio de obter mais informações sobre o processo, e de prevenir o ministro Barbosa que ele abria brechas para embargos futuros, se o tema fosse relacionado. Barbosa reitera sempre com um “indeferi”, “neguei”. O agravo foi negado monocraticamente por Barbosa, sob o argumento de que quem deveria abrir o sigilo de justiça era o juiz da 12ª Vara. O advogado apenas consegui vistas ao processo no DF no dia 29 de abril, quando já não havia mais prazo recurssório.
Fonte: REVISTA FORUM
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A sombra da capa preta

Por Luciano Martins Costa em 19/11/2013 na edição 773
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 19/11/2013
Os jornais de terça-feira (19/11) publicam resultado de nova pesquisa de intenção de voto feita pelo Ibope, registrando que a presidente Dilma Rousseff ampliou a vantagem sobre seus prováveis adversários, e seria reeleita no primeiro turno contra qualquer outro candidato entre aqueles que a imprensa considera como tais. Mas a consulta não leva em conta a eventual entrada do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, na disputa.
Pelo menos para um dos articulistas que acompanham os aspectos políticos, e não apenas jurídicos, do julgamento da Ação Penal 470, há sinais de que Barbosa está administrando cuidadosamente a reputação que lhe tem proporcionado o papel de condutor do processo. Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, interpreta o ataque de Barbosa, durante a sessão do STF na quarta-feira (13/11), ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como uma defesa da primazia de capitalizar a iniciativa de mandar para a cadeia personagens importantes da política.
Janot havia encaminhado na véspera uma recomendação de prisão imediata de doze dos condenados. Barbosa não gostou da concorrência. O presidente do STF despachou a petição do procurador sem ter lido, porque já tinha preparado os mandados de prisão para o feriado de 15 de novembro, data da Proclamação da República. Pretendeu reservar para si o crédito pela prisão dos condenados, mesmo daqueles que tinham direito ao regime semiaberto, para aproveitar a data histórica e oferecer à imprensa um valor simbólico adicional ao seu ato.
Mas, como observa o articulista, ao atacar o procurador-geral por haver apanhado uma carona no fato histórico, Barbosa deixou clara a estratégia de se manter em evidência, o que só se explica se ele estiver acalentando sonhos grandiosos para 2014.
O episódio não interfere nos aspectos jurídicos da decisão de enviar alguns dos mais importantes protagonistas do escândalo para uma prisão em Brasília, aspecto bastante discutido por especialistas, a não ser pelo fato de o presidente da Corte ter despachado um documento que não havia lido.
Observamos, aqui, como os acontecimentos são trabalhados pela imprensa e analisamos as simbologias presentes no processo comunicacional.
Estritamente nesse sentido, pode-se afirmar que todas as atitudes do presidente do Supremo Tribunal Federal apontam para a hipótese de Joaquim Barbosa estar cultivando um espaço no eleitorado para disputar a presidência da República no ano que vem.
Em busca de um candidato
Sabemos que não há inocentes na política nem na imprensa. Também não é recomendável que o leitor ou leitora compre pelo valor de face tudo que é apresentado como resultado de pesquisa eleitoral: sempre há mais de uma maneira de interpretar os dados estatísticos. Nessa última versão do Ibope, por exemplo, observe-se o título na primeira página do Estado de S.Paulo, que encomendou a consulta em parceria com o Globo: “Dilma amplia vantagem, mas brasileiro fala em mudança”.
Ora, nenhum dos candidatos da oposição já colocados, nem mesmo a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, personifica esse desejo captado pela pesquisa. Fica, então, implantada no subconsciente do cidadão a possibilidade implícita no noticiário: o eleitorado aprova o governo da presidente Dilma Rousseff, a maioria votaria nela, mas dois a cada três brasileiros gostariam de uma mudança no governo. A análise que acompanha a reportagem no jornal paulista afirma que nenhum dos candidatos de oposição personifica esse desejo de mudar.
Com seu intempestivo protagonismo ao longo do julgamento da Ação Penal 470, que a imprensa utiliza para construir sua imagem de super-herói, o ministro Joaquim Barbosa se apresenta mais como candidato a um cargo político do que como jurista. Seu perfil se assemelha progressivamente ao do falecido ex-presidente Jânio Quadros, cuja renúncia abriu caminho para a ditadura militar.
Como se diz das oportunidades, o cavalo passa diante dele, devidamente encilhado, e a imprensa precisa cultivar rapidamente a figura do agente de mudanças que a oposição não foi capaz de criar.
No atual cenário, só o presidente da Suprema Corte teria esse perfil. Mas o temperamento de Barbosa não aconselha grandes apostas. Sua capa preta apenas aumenta a zona de sombra no cenário político.
Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA 
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Não se desespere. Jânio Quadros vem aí !


  

“O moralismo autoritário”. “Uma ascensão meteórica”. "Bonapartismo"
Fonte: CONVERSA AFIADA
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Jornal dos Sarney coloca Zé Dirceu de metralha e Lula e Dilma fingindo que não é com eles

Renato Rovaiem Blog do Rovai - Há 16 horas
O jornal O Estado do Maranhão é da família Sarney, como boa parte da mídia daquele estado. Sarney é o dono de boa parte dos cargos do governo Dilma que pertencem ao PMDB, como o ministério das Minas e Energia, comandado pelo sempre aliado Édson Lobão. Dilma trata Lobão de forma diferenciada, garantem outros … Read more →
Fonte: REVISTA FÓRUM 
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Homem que comprou a reeleição quer Justiça

O Príncipe da Privataria tem no DNA a Ética tucana
Fonte: CONVERSA AFIADA
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Aécio sonha com Barbosa de vice

Precisa ver se o Cerra - de que vive ele ?
Fonte: CONVERSA AFIADA
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Lincoln Secco: Os palhaços do circo jurídico serão esquecidos como foi com Prestes

É preciso defender Dirceu e Genoíno e calar o PIG O post Lincoln Secco: Os palhaços do circo jurídico serão esquecidos como foi com Prestes .
Fonte: VI O MUNDO
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Rei de Bateria

Boni virá à frente da bateria da Beija-Flor de Nilópolis


A Beija-Flor promete surpreender a todos no Carnaval 2014. O grande homenageado da Azul e Branca de Nilópolis, o ex-todo-poderoso da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, virá à frente dos ritmistas da escola, ao lado da rainha de bateria Raíssa de Oliveira. Esta será uma das raras vezes na história do Carnaval carioca que um homenageado não vem em um carro alegórico ou em um estandarte de destaque. Em São Paulo, o maestro João Carlos Martins, que foi homenageado pela campeã Vai-Vai de 2011, também esteve à frente da bateria, no recuo, e regeu os ritmistas.



Pirulito FestasFoto: Ag.NewsA ideia de vir no chão e não distante do público presente no Sambódromo carioca partiu do próprio Boni e foi prontamente aceita por Laíla, o diretor de Carnaval da escola que é sempre uma das grandes favoritas ao título. O enredo da Beija-Flor para o próximo Carnaval é ‘De Azul e Branco Nos Braços do Povo’.

Olha a Beija-Flor aí, gente. 
É o grito de guerra da escola de Nilópolis, que marcou época no carnaval carioca com momentos bem distintos.
Lá pelo início da década de 1970, quando o homenageado acima trabalhava na rede globo e a empresa dos marinhos engordava cada vez mais com o apoio explícito a ditadura militar, a escola de Nilópolis era praticamente insignificante no carnaval carioca. 
Assim como outras escolas  à epoca, mas não a maioria, a Beija-Flor insistia em enredos que exaltavam as conquistas do Brasil , justo em um período mais violento e  obscuro da ditadura militar. 
O resultado nos desfiles era sempre pífio.
No ano de 1976 a escola deu uma guinada, mandou embora o professor dos enredos exaltação ao regime, e desfilou com um enredo sobre o jogo do bicho.
Desfilou e agradou, tanto que pela primeira vez conquistou o título do carnaval carioca. 
Ganhava mais visibilidade a era de um dos maiores carnavalescos da história, Joãozinho Trinta.
Com apenas três anos da tv a cores no Brasil, iniciado em 1973, Joãosinho percebeu que o impacto dos desfiles nas transmissões  de TV seria um caminho natural das escolas. 
E não fez por menos. 
A partir de 1977 apostou no luxo e nos efeitos visuais, em perfeita harmonia com o enquadramento das imagens pela TV. 
Venceu mais dois carnavais consecutivos com a escola de Nilópolis e foi alvo de críticas pelo luxo  apresentado, o que motivou uma de suas melhores sacadas:
" quem gosta de pobreza é intelectual. o povo gosta de luxo " 
A Beija- Flor passou a ser referência, porém com o passar do tempo e o desgaste natural pela repetição, a escola foi ficando em uma posição burocrática, sem a irreverência de Joãosinho. 
A irreverência nos enredos e a crítica político-social, tão comum na história do samba, se deslocava para outras escolas, que também criticavam a opção da Beija-Flor.
Com a redemocratização do Brasil, os enredos ficaram mais livres, porém a escola de Nilópolis seguia seu caminho de desfiles técnicos, burocráticos  e resultados sempre questionados pela crítica.
No ano de 2014, a escola, ao que parece, retorna ao período do início da década de 1970, e indiretamente exalta a rede globo, sabidamente uma emissora que cada vez mais interfere nos desfiles das escolas de samba a ponto de "sugerir" enredos ou mesmo temas para um ano onde todas as escolas devem seguir e explorar , por diversos subtemas, o  tema proposto pela emissora. 
Cabe ainda lembrar que do perído obscuro da ditadura militar no país, as organizações globo são ainda hoje a principal trincheira reacionária na contenção do avanço democrático.
Quanto ao enredo da escola, e seu principal homenageado, não resta dúvida que foi de grande importância para uma empresa privada de comunicação conquistar grande parte da audiência em todo o território nacional, o que, por outro lado, configurou uma tragédia para o país no tocante a difusão pela emissora de valores, percepções e práticas totalmente descoladas da cultura nacional. 
As organizações globo são , sabidamente, um braço de apoio dos interesses dos EUA no Brasil e sempre estiveram do lado oposto do povo, apesar das aparências. 
No mundo atual de cartas marcadas e comandado por interesses comerciais, as aparências irão invadir a passarela do Samba Darcy Ribeiro no carnaval de 2014, e mais, a frente da bateria da escola ao melhor estilo rainha de bateria ou ainda ao estilo de um folião bem sintonizado com a cultura popular, estará uma alegoria viva da rede globo.
Nas arquibancadas da Passarela uma parcela do público alienada baterá palmas para o grande folião e amante de nossa cultura, enquanto nos camarotes as "elites" embasbacadas sacudirão suas jóias em reverência ao filhote da ditadura homenageado.
Palhaçada maior somente se o grande homenageado desfilar, tal qual as rainhas de bateria, com fantasia bem decotada.
O carnaval carioca merece coisa melhor.

sábado, 16 de novembro de 2013

O Teatro do STF e o Julgamento da Globo

BOLSA FAMÍLIA

Deu no ‘New York Times’

Por Luciano Martins Costa em 15/11/2013 na edição 772
Comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa, 15/11/2013
“Suíça pode criar renda mínima de R$ 6,3 mil”.
A notícia, publicada na edição de sexta-feira (15/11) do Estado de S. Paulo, é a versão traduzida de um texto da jornalista especializada em política econômica Annie Lowrey, que escreve no New York Times.
Na linha fina que sustenta o título, o jornal afirma: “Programas assistenciais tipo Bolsa Família são cada vez mais debatidos em todo o mundo”. A seguir, relatos de experiências desse tipo feitas em países ricos e opiniões de economistas sobre os resultados dessas ações sociais.
Agora, sugerimos que o prezado leitor e a leitora atenta tentem se recordar de como a imprensa brasileira tratou, desde o início, os programas sociais de distribuição de renda adotados pelo governo do ex-presidente Lula da Silva. Expressões como “bolsa-esmola” e “incentivo para a vagabundagem” ainda podem ser apreciadas em artigos e reportagens publicados a partir de 2003, quando a prática de combater a miséria com a concessão de renda virou política pública.
Depois de passar anos condenando o programa, a imprensa se convenceu de seus resultados e passou a cobrar uma “porta de saída” para os beneficiários e “adequações” do sistema. Ainda no ano passado, o Globo publicava ampla reportagem na qual fazia uma avaliação dos benefícios da injeção de dinheiro nas famílias pobres, reconhecendo como efeitos colaterais alguns dos resultados previstos ainda no lançamento do projeto: drástica redução do trabalho infantil, aumento da escolaridade nas regiões beneficiadas, diminuição da violência familiar e novo protagonismo da mulher.
Ao cobrar “aperfeiçoamentos”, o jornal citava o caso de uma faxineira, do Piauí, que rejeitou um emprego de babá porque preferia continuar com seus próprio filhos, sustentada pelo dinheiro do governo. O Globo apresentava essa história como crítica ao programa, como exemplo de que em alguns casos os beneficiários prefeririam não trabalhar fora, com medo de perder a renda mínima.
E é justamente nesse ponto que se revela a miopia social da imprensa brasileira: ao escolher ficar com seus próprios filhos, a mulher citada na reportagem estava justamente realizando o propósito do projeto social, ou seja, procurava assegurar com sua presença que os filhos fossem à escola. Se fosse cuidar dos filhos da patroa, certamente ganharia mais dinheiro, mas quem cuidaria de suas próprias crianças?
Pobres países ricos
A reportagem do New York Times, reproduzida pelo Estado de S. Paulo, observa que a crise nos países ricos está estimulando debates sobre a ideia de prover uma renda básica para famílias em dificuldades, principalmente para os jovens que não encontram emprego (ver aqui o texto original em inglês).
O caso da Suíça é emblemático: lá, uma campanha defende a concessão de um cheque mensal de 2.500 francos suíços – o equivalente a R$ 6.348 – a cada cidadão, rico ou pobre, idoso ou jovem, esteja ou não empregado. Como resultado imediato, a pobreza desapareceria completamente. A proposta é de um artista nascido na Alemanha, mas, segundo o texto, está mobilizando a sociedade e provoca grande debate entre economistas.
Mesmo nos Estados Unidos, pátria do liberalismo econômico, a discussão mobiliza as forças políticas de todos os matizes, mas praticamente já não se questiona a conveniência de programas de assistência: a controvérsia gira em torno do modelo mais adequado, se a renda básica será proporcionada por um programa de seguridade social expandido ou pela simples entrega de dinheiro, sem nenhuma obrigação em troca. Daí a uma ação internacional para o resgate da África, por exemplo, o caminho fica mais curto.
Uma pesquisa feita no Canadá e citada pelo jornal observa que a experiência de doação pura e simples de um salário mínimo a todos os cidadãos de uma pequena cidade durante um curto período conseguiu eliminar a pobreza, os índices de conclusão do ensino médio subiram e o número de pessoas hospitalizadas, caiu. O estudo projeta resultados mais amplos, demonstrando que uma política de renda básica não produz uma sociedade ociosa, como diziam os jornais brasileiros.
Programas de incentivo à base de transferência de renda vinham sendo experimentados no Brasil desde 1994, em Campinas, e acoplados a planos de educação, como aconteceu em 1995 em Brasília, durante o governo do hoje senador Cristovam Buarque. Mas foi o ex-presidente Lula da Silva que transformou essa ideia em política nacional, sob o nome de Bolsa-Família.
A reação da imprensa foi o que se viu.
Passados dez anos, o Brasil produziu o fenômeno da mobilidade social, milhões de cidadãos foram resgatados da miséria, muitos celebram o ingresso de seus filhos na universidade, os pobres aprenderam o que é autoestima, e países ricos pensam em aplicar a mesma receita para reduzir os danos do capitalismo especulativo.
Agora os jornais brasileiros não falam mais em “bolsa-esmola”.
É que deu no New York Times.
Fonte : OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Até mesmo os inocentes do Leblon sabem que a velha mídia comercial brasileira se transformou em um feroz e descontrolado partido de oposição aos governos democráticos, transparentes e bem sucedidos do PT. 
Durante esses últimos onze anos, a velha mídia vem tentando de tudo para derrubar, ou pelo menos fazer sangrar, os governos e lideranças do partido dos trabalhadores.
O Brasil deste século, bem sucedido e protagonista no cenário mundial, não aparece nas telas de tv, nos jornais e revistas   e nas emissoras de rádio da velha mídia.
Quanto não pode omitir os avanços conquistados neste século, a velha mídia  trata  de atacar as conquistas com teses e contorcionismos que ultrapassam em muito os limites do absurdo.
Isso se deve a grande fragilidade dos partidos de oposição do país, no tocante a apresentação de programas objetivos para o país que possam confrontar o governo.
Diante desse vácuo oposicionista, e considerando-se que em política o vácuo não existe, a velha mídia brasileira assumiu o papel de oposição, na tentativa de criar condições políticas para que a oposição partidária possa  lograr bons resultados nas eleições.
E não há limites no campo da oposição para tentar derrubar o governo do PT.
O caro leitor pode achar estranho, e até mesmo forte, a palavra derrubar, porém é o que está em jogo, mesmo que as aparências democráticas e de defesa da justiça se façam presentes com grande estardalhaço no cenário da informação, como acontece no momento com a decisão do STF sobre os réus da ação penal 470, amplamente divulgada pela velha mídia como mensalão.
Nas mídias que não seguem o mantra da velha mídia, pode-se ler conteúdos bem diferentes, em alguns casos mesmo antagônicos, sobre as decisões do STF.
O PAPIRO selecionou alguns, listados abaixo, com as fontes, para que o leitor possa ter uma boa informação e análise do que está em jogo e o perigoso papel que o STF vem assumindo na democracia:

Manter Dirceu preso é ilegal, diz advogado do ex-ministro
Fonte: JORNAL DO BRASIL

Ação Penal 470: uma exceção para a história

Não enxergo qualquer efeito pedagógico nesse julgamento e não desejo em hipótese alguma que se repita em outros processos futuros.

Fonte: CARTA MAIOR


Carta Maior e a coreografia do mensalão: República da Globo deu a notícia no JN

publicado em 16 de novembro de 2013 às 5:36

.Fonte: VI O MUNDO


Arquivo
José Genoíno foi brutalmente torturado na ditadura e seus torturadores continuam aí, sorridentes e impunes pelo que fizeram, abrigados por decisões deste mesmo Tribunal que condena sem provas militantes do PT. José Dirceu coordenou a vitória legítima de Lula, para o seu primeiro mandato. Os que compraram votos para reeleger Fernando Henrique estão também por aí, livres e gaudérios. Essas comparações históricas pairam sobre o prestígio da Suprema Corte. Por Tarso Genro.  Fonte: CARTA MAIOR


Inês Nassif: Um bunker poderoso incrustado no coração da democracia

publicado em 14 de novembro de 2013 às 20:32

por Maria Inês Nassif, em Carta Maior
Fonte: CARTA MAIOR

“Prisão é início da perseguição à toda a esquerda”

publicado em 15 de novembro de 2013 às 19:51
Fonte: VI O MUNDO


 Mensalão: Pizzolato não se entrega e, da Itália, divulga nota 

Ex-diretor do BB diz “não vislumbrar a mínima chance de ter um julgamento afastado de motivações político eleitorais"
Fonte: JORNAL DO BRASIL


Petistas calam a Globo na porta da PF

Repórter da Globo, elegante como um banqueiro, não consegue noticiar a prisão de Genoino e Dirceu: a verdade é dura; a Rede Globo apoiou a ditadura !

Fonte: CONVERSA AFIADA

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Gol de Placa





Em rodada de protestos, Rogério Ceni questiona Globo por tabela


A rodada desta quarta-feira do Brasileirão contou com protestos do Bom Senso F.C. por parte de atletas de diferentes clubes em todas as partidas. O jogo entre São Paulo e Flamengo no Novelli Júnior, mais marcante, contou com a ameaça do árbitro Alício Pena Júnior de distribuir cartões amarelos a todos os 22 jogadores se estes parassem a partida por um minuto após o apito inicial. Passada a ameaça – driblada por Ceni e outros atletas – e acabado o jogo, com vitória tricolor por 2 a 0, o goleiro e capitão são-paulino falou sobre o tema e direcionou críticas à Rede Globo.

"Por que a Globo não pode ter jogo de segunda-feira? Futebol para o país, dá audiência todo dia. Os atletas se predispõem a ajudar, a jogar. Só não pode jogar quarta, domingo, quarta, domingo. Podemos desmembrar uma rodada no fim de semana. Campeonato Paulista não pode ter 23 rodadas. Isso não é encrenca, chama-se bom senso, que dá nome ao movimento. E não é nada político. Se tiver algo político nesse movimento um dia, eu sou o primeiro a ir embora", falou Ceni, após a partida, sobre a emissora que detém os direitos de transmissão dos principais torneios do Brasil.

No jogo, Ceni discutiu com Alício Pena Júnior antes mesmo do apito final, ao saber que o árbitro poderia distribuir amarelos por conta do protesto – nenhum outro árbitro puniu a manifestação. Ceni, então, organizou os atletas para que tocassem a bola durante o primeiro minuto, de um campo para o outro, e só a partir de um minuto de jogo "liberou" a partida.

"Mais importante é que isso aqui tem uma conotação muito maior do que imaginam. Significado é muito grande. Acho que o que a gente defende é algo muito importante para todo mundo. É para vocês [jornalistas], para mídia, imprensa, Rede Globo de televisão, que paga os direitos", acrescentou.

Ainda referindo-se à imprensa e à emissora detentora dos direitos, Ceni suplicou para que os apelos do Bom Senso F.C. sejam atendidos. O movimento pede mudanças no calendário para evitar desgaste excessivo dos atletas e criar empregos a divisões menores do futebol, que ficam paradas após os estaduais.

"Nós queremos ser atendidos, pelo amor de Deus. Por que vamos deixar chegar a esse ponto? O Brasil para pelo futebol. Não é possível que vocês vão comprar uma briga que não se faz necessária. Não há necessidade desse conflito", disse Ceni.

"Se tiver mais jogos de times menores, que ficam parados durante sete meses, vai ter mais jogadores, mais arbitragem. O que a gente defende é mais partidas, mais mão de obra para todos, para vocês da imprensa também. A gente não está aqui para brigar. Não queremos chegar ao ponto de fazer greve. Queremos que se possa fazer um campeonato estadual para 80 times paulistas. Por que não, no meio do ano, para times menores? Estado de São Paulo tem mais de 100 equipes de futebol, com jogadores que ganham dois ou três salários mínimos. Isso é como injetar dinheiro na economia", completou.

Após a ameaça de cartão amarelo coletivo por parte do árbitro Alício Pena Júnior, o meia Elias e o zagueiro Chicão, do Flamengo, classificaram a atitude como "ditadura", ao deixar o gramado no intervalo de jogo.
Fonte: BOL

Uma mudança na estrutura do futebol brasileiro só pode acontecer se a iniciativa de mudança partir dos jogadores.
Em uma estrutura viciada, onde CBF, federações ,emissoras de tv e patrocinadores, agem em benefício próprio, a mudança deve partir dos responsáveis pelo espetáculo.
Em um setor que movimenta quantias gigantescas em um universo de centenas de clubes , poucos se benefeciam dos lucros.
As principais estrelas do espetáculo, os jogadores, vivem em estado desolador.
São poucos, proporcionalmente ao número de atletas, os que desfrutam do estrelato e grandes salários e, mesmo as estrelas, são sugados de todas as formas pelos meios de comunicação e empresas que sempre querem mais e mais. 
Assim sendo, jogadores como Neymar, indiscutivelmente um grande talento, são inflados de forma desproporcional pelos meios de comunicação sempre famintos por mais audiência e lucros fáceis advindos da imagem  ( talento e inteligência) do atleta. 
Outros ,por vezes, fazem pontas em novelas ou reality shows que certamente terão um ganho a mais na audiência.
É uma ilusão achar que o sucesso no futebol é um caminho fácil. 
Isso só acontece para poucos, bem poucos.
O talento de um jogador de futebol necessariamente passa por um dom, uma habilidade especial, uma inteligência privilegiada, uma capacidade criativa , que combinados adequadamente tem como resultante uma grande inteligência.
E é lamentável, e pouco inteligente, que a estrutura do futebol brasileiro viabilize a exportação de inteligência sem nenhum valor agregado, em sua forma bruta de matéria - prima, que é o jogador de futebol.
O computador é importante, mas a inteligência maior está nos softwares.
O jogador de futebol é um misto de atleta e artista, e sua arte se manifesta nos campos, nas partidas, nos espetáculos. 
Imagine, caro leitor, os EUA exportando atores e atrizes no lugar de exportar os filmes e shows.
A realidade de futebol brasileiro prioriza a exportação de matéria-prima, talento, cérebro, sem nehum valor agregado, o que é lamentável.
O futebol com maior número de títulos mundias ainda não se libertou de estruturas ultrapassadas e retrógradas, além de pouco, ou nada, democráticas.
Deveríamos estar, hoje, exportanto nossos campeonatos nacionais para todo o mundo, como um grande espetáculo, com os nossos talentos desfilando inteligência e arte em nossos campos. 
Infelizmente a realidade é bem diferente.
Isto posto, a iniciativa do Bom Senso F.C. , caso privilegie um senso de  pulso firme, pode ser o início de uma grande reforma na estrutura de nosso futebol, onde todos os clubes, grandes e pequenos, tenham condições de evoluir sistematicamente.
No tocante as transmissões por TV, não se pode mais tratar o futebol como um produto de uma única emissora de TV, onde o horário das partidas segue uma lógica inserida na grade da emissora como sendo mais um programa, sempre em poucos e determinados dias e nos mesmos horários.
Na TV globo, os comentaristas de partidas de futebol são proibidos de fazer qualquer tipo de comentário sobre os horários das partidas, pois na lógica da emissora, os horários são assuntos da esfera comercial e não técnica. 
O caro e bem informado leitor deve se lembrar da Copa do Mundo de Futebol realizada nos EUA, em 1994.
Motivada apenas por interesses comercias da FIFA, as partidas de futebol foram jogadas em horário próximo do meio dia, em pleno verão, com um calor infernal, o que contribuiu para a queda de nível técnico da competição.
Por aqui partidas tem início as 22 horas, depois da novela.
Muitos torcedores, trabalhadores,  sequer podem assistir as partidas pela TV  devido ao horário avançado, já que no dia seguinte necessitam acordar por volta das cinco horas da manhã para o trabalho. 
Ir aos estádios, nem pensar.
O comparecimento aos estádios, na estrutura atual do futebol, tem sido cada vez mais de pessoas ao estilo rei dos camarotes, o  idiota herói da revista Veja. 
O futebol é um patrimônio do povo brasileiro e, mais do que isso, uma forma de diversão e de entretenimento que vem sendo elitizada , vorazmente, em benefício de poucos.
Espero que o Bom Senso F.C., que ao que parece tem o apoio da população, siga firme em suas idéias, propostas e ações  em benefício de uma profunda transformação nas estruturas do futebol brasileiro.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Picadinho de Globo

O fim das bancas de jornal

Por Luciano Martins Costa em 13/11/2013 na edição 772
Comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa, 13/11/2013
Os programas locais de rádio dedicaram bastante tempo, na tarde de terça-feira (12/11), ao projeto de lei que transforma as antigas bancas de jornais e revistas de São Paulo em lojas de conveniência. Tão tradicionais quanto as padarias na paisagem da capital paulistana, as bancas podem agora vender praticamente tudo: aparelhos eletrônicos de pequeno porte, guarda-chuvas, jogos para computador, doces, salgados, bebidas não alcoólicas e serviços, como acesso à internet e entrega de encomendas dos Correios.
Podem também vender jornais, revistas e livros.
Oficialmente, apenas 25% do espaço interno das bancas poderão ser destinados a produtos não relacionados ao mercado editorial. Mas, conforme se podia ouvir nas entrevistas de representantes do setor, o que já ocorre e deverá se tornar padrão é que os clientes se aproximam para comprar outras coisas e, eventualmente, levam uma revista ou jornal.
Na prática, o que acontece é que os estabelecimentos tradicionalmente dedicados à distribuição de produtos da imprensa têm que vender outras mercadorias, porque o comércio de jornais e revistas não é mais suficiente para cobrir as despesas. O assunto, que certamente vai ser registrado por pesquisadores do negócio de informações nesta segunda década do século, foi praticamente ignorado pelos grandes jornais da quarta-feira (13/11). Apenas a Folha de S. Paulo fez o registro da sanção da lei por parte do prefeito, em uma nota de pé de página.
A rigor, a medida apenas legaliza uma situação de fato: há alguns anos, os donos desses pequenos comércios são obrigados a oferecer qualquer coisa para garantir o faturamento, porque as vendas de publicações estão praticamente estagnadas. Segundo dados do sindicato do setor, São Paulo, que tinha cerca de 5 mil bancas em 2007, perdeu mais de mil desses estabelecimentos até 2012, principalmente por causa da mudança de hábitos dos leitores, que progressivamente trocam as edições de papel pela leitura em aparelhos eletrônicos.
A queda das vendas afeta principalmente empresas como a Editora Abril: a venda avulsa em quiosques significa 50% da circulação de seus títulos. Um jornal como o Estado de S. Paulo, por exemplo, tem menos de 10% de suas vendas feitas em bancas.

Secos e molhados
A transformação desses tradicionais pontos – que representam o último elo na cadeia de produção do jornalismo impresso – em minimercados de conveniência pode representar a pedra tumular do período industrial da imprensa, que não parece encontrar um lugar no mundo pós-impressão. A rigor, as bancas vinham funcionando apenas como vitrinas de produtos editoriais, e é comum encontrar em algumas delas publicações antigas cujos editores esqueceram de fazer o recolhimento.
Na impossibilidade de sobreviver atrelados à indústria de informação, os donos desses pequenos estabelecimentos foram obrigados a buscar alternativas, negociando sua permanência no congestionado comércio da cidade. A falta de reação dos jornais, que praticamente ignoraram o assunto, pode significar que, também para a imprensa, a transformação dos quiosques em lojas de conveniência é uma chance de continuar exibindo suas manchetes. Quem sabe, entre um refrigerante e um pacote de amendoim se vende algum jornal.
O problema é que o negócio da imprensa não pode depender basicamente da compra por impulso, estimulada por uma fotografia chocante na primeira página, ou pela promessa de uma história instigante exibida por um título bem elaborado. Ao contrário do que se podia observar há poucas décadas, a relação do cidadão com a notícia se dá, cada vez mais, como um complemento de seus vínculos sociais.
Se antes a posse da informação determinava o valor social do indivíduo, agora o sinal se inverte e a posição do cidadão no jogo das vinculações é que pode fazer uma informação circular, ganhar credibilidade ou desaparecer. Não é por outra razão que as agências de marketing digital investem na identificação dos protagonistas das redes sociais que conseguem agregar em torno de si o maior número de ativistas da comunicação.
A mídia tradicional perde sua posição de centralidade no ecossistema da comunicação e da cultura. A transformação das bancas de jornais em lojas de secos e molhados é parte desse processo. 

A  diversidade de produtos nas bancas de jornais já vem de longa data.
Pode-se encontrar de quase tudo um pouco nesses simpáticos ambientes, que anteriormente se dedicavam apenas aos impressos.
Incensos, aparelhos de barbear, absorventes higiênicos, canetas, envelopes, loterias instantâneas, brinquedos, saquinhos de bola de gude,  isquieros, caixas de fósforos, balas&doces, cigarros ( inclusive a varejo), refrigerantes, cintos, meias, bonés, preservativos, adesivos, rolo de papel higiênico, guardanapos de papel,  pilhas&baterias, sanduíches ( inclusive os naturais), camisas, camisetas, bermudas, posters do Papa, sandálias, água mineral ( inclusive em garrafão ) são vistos na maioria das bancas. 
Ainda não se tem relato da venda de ovo cozido, sanduíches de bife a milanesa , pizzas e cachaça.
Acredita-se que em breve as bancas terão uma variedade ainda maior de produtos para oferecer aos seus clientes.
Com  isso cria-se de forma legalizada, já que uma lei autoriza a transformação das bancas em um comércio, mais um espaço que irá fazer concorrência aos estabelecimentos comerciais. 
Cabe lembrar que os lojistas vivem em constante atrito com os vendedores de rua, que montam suas barracas nas calçadas para vender seus produtos. 
As bancas de jornais são isentas de impostos. 
Os vendedores ambulantes, com suas barracas, também não vão gostar da nova concorrência e certamente não terão a menor vontade de vender jornais ou revistas, pois sabem muito bem que caso entrem nesse negócio irão morrer de fome.
Com a decadência acentuada dos jornais e revistas impressas por conta das mídias digitais, além da irrelevância dos conteúdos da velha mídia brasileira, as bancas de jornais, muitas com refrigeração interna, passam a assumir o posto de ambulantes chiques, onde o freguês pode inclusive sentar a messa,  fazer um lanchinho e mesmo assistir uma partida de futebol, já que algumas bancas tem assinaturas de tv fechada com direito a antena instalada no estabelecimento. 
Os quiosques da orla, no caso aqui do Rio de Janeiro, também ganham mais um concorrente, já que algumas bancas de jornais, assim como em muitos quiosques, organizam shows musicais, rodas de pagodes de mesa e outras performances artísticas.
Já que o assunto entrou na pauta, seria interessante que as bancas, além de vender os decadentes impressos, se transformassem de forma padronizada em um espaço cultural, assim como os cafés que existem em muitas livrarias. 
Para tanto deveriam passar por um processo de redefinição das instalações já que manuseiam alimentos em ambiente sem instalações hidráulicas e sanitárias.
Atualmente assemelham-se aos traillers, que vendem churrascos e sanduíches sem nenhuma infraestrutura de bar.
O assunto é polêmico e ainda vai render muito.
De certo , sabe-se que os impressos da velha mídia não servem para mais nada.

O Trem Fantasma

Folha (*) vira piada de mau gosto

“Follow Mauro Ricardo !”, bradou o editor do Washington Post aos repórteres que cobriam Watergate

Valor inventa ferrovia que não existe

Se funciona, não funcionará, porque não há infraestrutura. Como bondinho do Pão de Açúcar

O absurdo é tão escandaloso que a velha imprensa é o melhor programa de humor  no momento.
A Folha de SP, nesse caso da corrupção de Nunkassabe que certamente tem ligações históricas com os tucanos,inverteu a realidade. Criou o sol da noite e da madrugada.
Já o Valor, uma suruba entre globo e folha, fala da ferrovia ligando o Brasil a Lima no Peru. 
A ferrovia não existe e a ligação com o pacífico, até Lima, já foi concluída nos governos Lula e Dilma por rodovia asfaltada. 
Inclusive uma empresa de transporte do Peru, já opera uma linha de ônibus entre São Paulo e Lima.
O globo e folha estão a deriva, e se esquecem de comentar  a ligação ferroviária, em fase avançada de construção, entre São Paulo e Auckland, na Nova Zelândia.
 Fonte: CONVERSA AFIADA

















































terça-feira, 12 de novembro de 2013

Black Blocs Overseas


Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Enquanto falcatruas depredam o patrimônio público, PF caça black blocs





Não é por falta de escândalos que os órgãos responsáveis por investigações e punição no Brasil deixam de atuar. Irregularidades, denúncias, saque aos cofres públicos, negociatas entre governo e empreiteiras... Os exemplos são muitos e não param surgir, alimentados pela impunidade que reina no país.





Enquanto as falcatruas se sucedem, as autoridades parecem mais preocupadas em atacar outras frentes, reprimir outro tipo de ação, ação que se revolta exatamente contra os maus governantes que priorizam seus interesses.


Enquanto o desmando impera nas grandes esferas do poder e vandaliza o patrimônio público em proporções incalculáveis, a Polícia Federal concentra suas forças na investigação contra os black blocs, seus paus e pedras.
No Congresso, os supersalários, mesmo ilegais, parecem intocáveis. Parlamentares chegam a receber mais R$ 60 mil brutos, somando remunerações e aposentadorias, enquanto o teto constitucional é de R$ 28 mil. O que diz a Constituição e as leis pouco importa para os que embolsam além do permitido.

Mesmo proibido pela Constituição, parlamentares ganham supersalários

Em São Paulo, o escândalo dos fiscais que teriam fraudado Impostos sobre Serviços e até o IPTU pode chegar a casa dos R$ 500 milhões. Escutas, ameaças e muito dinheiro circulam na esfera do município, enquanto o ex e o atual prefeitos trocam acusações.
"Havia degradação na prefeitura de São Paulo", afirma Fernando Haddad.
"Descalabro é primeiro ano do atual governo", rebate Gilberto Kassab.
No Rio de Janeiro, superfaturamento e denúncias envolvendo empreiteiras e o governo tomaram conta dos noticiários. A Delta e sua coleção de escândalos causou indignação à sociedade, detonando protestos até em frente à casa do governador Sérgio Cabral.
A Delta monopolizou as grandes obras com dinheiro público no Rio, passando pelo PAC e pelo Maracanã. A empreiteira de Fernando Cavendish protagonizou uma das maiores ascensões empresariais já vistas no país, até sua relação com o contraventor Carlinhos Cachoeira vir à tona.
O deputado federal Paulo Maluf é mais um personagem do mundo político que, apesar das denúncias e acusações, parece ressurgir das cinzas e se mantém no cenário, talvez até participando das próximas eleições. O capítulo mais recente foi sua condenação  por superfaturamento em obra do complexo viário Ayrton Senna, de 1990.
Soma-se a estes casos o de Ângelo Calmon de Sá - ex-dono do Banco Econômico - que, com mais de 30 processos criminais, muitos ainda sem decisão de sentença, continua em liberdade, mesmo após ter sido condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 13 anos de reclusão por gestão fraudulenta de instituição financeira.
E há ainda o caso do Banco Cruzeiro do Sul. O escândalo mais recente dá conta de que credores pedem R$ 113 milhões ao Morgan Stanley, com notificação judicial, referente à venda de ações pelos ex-controladores Luís Octavio e Luiz Felippe Índio da Costa, justamente duas semanas antes da intervenção do Banco Central. Os dois são acusados de provocar a falência do banco e causar prejuízo de R$ 3,8 bilhões ao Sistema Financeiro. Ficaram conhecidos também pela contribuição a campanhas de políticos. O principal beneficiado teria sido José Serra, que se candidatou à presidência tendo o sobrinho e primo dos ex-controladores - o ex-deputado Índio da Costa - como vice.
Enquanto isso, o BNDES abre generosamente seus cofres públicos para empréstimos de grande vulto. Somente para o empresário Eike Batista - que amarga prejuízo histórico e de proporções internacionais - as cifras chegam a R$ 1 bilhão, fora os para empreiteiras que, além de ganhar licitações para grande obras, ainda contam com a ajuda do dinheiro do governo.
Perto destes e tantos outros exemplos de depredação do patrimônio público e vandalismo contra os princípios da ética e da dignidade da sociedade, os black blocs mais parecem meninos indefesos e inofensivos.
Marcus Ianoni, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fuminense (UFF), ressalta que a sociedade brasileira ainda precisa percorrer um longo caminho para que a igualdade de todos perante a lei se efetive plenamente. A desigualdade no tratamento a cidadãos é feita pelo Estado, reforça, com respaldo de setores da própria sociedade.
"As ilegalidades dos 'vândalos' atentam contra o Estado de Direito assim como as ilegalidades de empresários e políticos. Não deveria haver dois pesos e duas medidas. Ilegalidade  é ilegalidade. O Estado e a opinião pública não devem fazer vista grossa ou dar desconto às ilegalidades de uns e ser rigoroso em relação à ilegalidade de outros. Fazer isso é oferecer tratamento privilegiado a alguns grupos, o que é um comportamento que reproduz hierarquias sociais de corte oligárquico. Precisamos acabar com os privilégios oligárquicos. A República Democrática deve aplicar a lei igualmente para todos. Um dos principais conteúdos da democracia é a igualdade", explica

Fonte: JORNAL DO BRASIL
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Blindagem dos tucanos inclui promotor em cargo público, denuncia deputado; Suiça pode ligar corrupção a campanhas

 


Montagem de Ivan Freitas, no Facebook, com a manchete que saiu (superior) e a que deveria ter saído

Fonte: VIOMUNDO

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MÁFIA DOS FISCAIS

Quem é o sujeito oculto?

Por Luciano Martins Costa em 12/11/2013 na edição 772
Comentário para o programa radiofônico do Observatório da Imprensa, 12/11/2013
Quando a ombudsman da Folha de S. Paulo alertou, no domingo (10/11), para a malícia presente na manchete do mesmo jornal, na sexta-feira anterior (8), ela estava se referindo a um caso específico, mas também abrindo a possibilidade de o leitor atento observar como a imprensa atua na manipulação da opinião do público.
“Prefeito sabia de tudo, diz fiscal preso, em gravação” – essa era a manchete criticada pela ombudsman, anotando que o prefeito de São Paulo chama-se Fernando Haddad e o personagem da notícia era o ex-prefeito Gilberto Kassab.
O fiscal em questão foi subsecretário da Receita do município durante a gestão de Kassab, e está envolvido em um esquema que pode ter desviado pelo menos R$ 500 milhões de reais. A quantia pode ser ainda maior, se considerada a suspeita de que o grupo vinha atuando desde 2002, quando Marta Suplicy era a prefeita.
O título na primeira página do jornal paulista foi visto pela ombudsman como um erro, nascido da disposição dos editores de transcrever na íntegra a declaração do personagem. “O jornal foi mais realista que o rei, numa cobertura bem delicada”, diz a defensora dos leitores.
Acontece que sempre há um dia depois do outro, caso contrário não haveria jornais. E a sequência dos dias induz o leitor e a leitora atentos a desconfiarem de que houve mais malícia do que realismo naquela escolha da sexta-feira.
Na verdade, não apenas a Folha mas os outros jornais e o noticiário da televisão estão divulgando uma versão diferente daquela que se pode ouvir claramente nas conversas entre supostos membros da quadrilha. Em telefonema gravado no dia 18 de setembro e incluído no inquérito, com autorização judicial, um dos envolvidos fala claramente, logo após o trecho que foi destacado pela manchete da Folha: “Chama o secretário e os prefeitos com quem trabalhei. Eles tinham ciência de tudo”.
O teor da declaração pode ser conferido no arquivo do Jornal Nacional, da TV Globo, edição do dia 7 de novembro (ver aqui), com a amplificação do áudio.
Na conversa com outra funcionária da Prefeitura, o auditor fiscal Ronilson Bezerra Rodrigues, acusado de chefiar a máfia da propina, se refere ao secretário e aos “prefeitos” com quem havia trabalhado, ou seja, insinua que o esquema começou antes do mandato de Gilberto Kassab.
Por que razão os jornais insistem em que ele se referiu apenas a um dos prefeitos com quem havia trabalhado? E qual seria o interesse da Folha em envolver o atual prefeito, que está patrocinando a investigação?
Picotando o noticiário
Os personagens do esquema eram ligados à Secretaria de Finanças do Município, cujos chefes foram herdados por Kassab da gestão anterior, do ex-prefeito José Serra. A rotina do grupo era abater impostos de grandes construtoras e quitar débitos com a Prefeitura, mediante pagamento de propina. A prática minou a capacidade de investimento do município.
Entre outras suspeitas, por exemplo, os jornais poderiam investigar o destino do processo envolvendo diretores da CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, que tinha reflexos nas finanças da capital paulista. Por outro lado, a curiosidade jornalística deveria induzir os editores a buscar conexões entre esse escândalo e o caso de superfaturamento nas obras do metrô e do sistema de trens metropolitanos, porque a lógica dos crimes é a mesma.
Mas o interesse da Folha de S. Paulo não parece ser o de esclarecer os fatos de uma forma ampla. Na edição de terça-feira (12/11), por exemplo, a manchete do jornal outra vez ignora os indícios de que a quadrilha atuava ainda antes da posse de Gilberto Kassab e anuncia: “Fiscal suspeito foi da equipe de secretário de Haddad”.
Se um dos acusados afirma ter documentos “desde 2002”, e ameaça delatar todo o grupo, causando um megaprocesso, “igual ao da máfia italiana na década de 90”, por que razão a Folha foge da grande história e tenta a qualquer custo envolver o atual prefeito, que criou a Corregedoria do Município e resolveu quebrar a quadrilha?
A cobertura do Estado de S. Paulo limita o período de atuação da quadrilha aos dois mandatos de Kassab (2006-2012) e ainda se concentra nos conteúdos das gravações, o que produz um noticiário fragmentado e induz o leitor a imaginar que se trata de um caso eventual de corrupção.
O Globo, que se baseia em informações do Ministério Público do Estado, oferece aos seus leitores um quadro mais amplo, com dados sobre os grandes valores desviados para contas no exterior e informando mais sobre a sofisticação do esquema.
Quem a Folha de S. Paulo estaria tentando proteger?
Parodiando a ombudsman do jornal, quem seria o “sujeito oculto”?

Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
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Falta diversidade e sobra concentração na mídia brasileira

Por Cristiano Aguiar Lopes em 12/11/2013 na edição 772

Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

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Mais jornais, melhor jornalismo

Por Alberto Dines em 12/11/2013 na edição 772

Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

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Enquanto tudo isso acontece na terra do cruzeiro, principalmente no ninho de aves famintas, a revista Época, das empresas globo, circula esta semana com matéria de primeira página sobre o "fenômeno criminoso que assola o país", conhecido como black bloc.
Não é  a primeira vez que as empresas globo investem de forma pesada contra a idéia black bloc, como sendo os adeptos da tática os  principais responsáveis pelos atos de violência que tem acontecido nos protestos recentes do país, principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.
Recentemente o jornal o globo foi alvo de duras críticas por conta de matéria em primeira página onde acusava, de forma violenta e preconceituosa, algumas pessoas que supostamente seriam adeptos dos black blocs (ver postagem do PAPIRO de 18.10.13, ANARQUISTAS ? SIM  ). A investida , inclusive, teve o apoio dos órgãos de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, com direiro a aparição planejada nas principais mídias, da Chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que, seguindo o noticiário, também apresentava de forma categórica os black blocs como sendo uma organização criminosa de "alta periculosidade e de grande capacidade organizacional ".
Que existe , por parte da velha imprensa, uma obsessão em rotular todo e qualquer ato de violência que acontece durante manifestações como sendo reponsabilidade de balck blocs, isso é fato bem conhecido.
Naturalmente, tal obsessão abre espaço para especulações, já que também é sabido que durante as manifestações uma variedade  de grupos se faz presente nas ruas, aproveitando a oportunidade para cometer toda espécie de delitos, de simples furtos, passando por atos de revoltas inconsequentes, e até mesmo em atos orquestrados para fins políticos.
A obsessão da velha mídia não é fruto do acaso, e os black blocs não tem a importância que tem sido atribuída ao grupo. Existe muita mais coisa nas ruas de Rio e São Paulo durante as manifestações.
Enquanto isso, a folha de SP promove um ato de barbárie jornalística, em uma tentativa clara, ou melhor, claríssima, em preservar seus aliados políticos da cidade e do estado de São Paulo.
Não há limites para a desinformação na velha mídia.
Já o o programa fantástico, apresenta um "fantástico quadro" chamado de 'Quem Paga é Você', onde semanalmente diverte o telespectador com contorcionismos jornalísticos supostamente investigativos, onde o alvo das "sérias e bem produzidas denúncias" é sempre o governo do PT com suas obras de infraestutura tão necessárias para o país, mas que sofrem com " incompetência e corrupção do governo".
1- Falta Diversidade e Sobra Concentração na Mídia Brasileira.
2 -Mais Jornais, melhor Jornalismo.
São os títulos de dois artigos da edição 772 do Observatório da Imprensa, e que dizem muito sobre a situação anti democrática e preocupante da imprensa e da mída brasileiras.
E quem paga pela falta de uma redemocratização dos meios de comunicação  é o povo brasileiro, sequestrado por um pequeno grupo de mídias ideologicamente homogêneo, que não tem limites para a desinformação, a omissão, a manipulação e a mentira escancarada.
Enquanto a população brasileira não abraçar, de forma radical, a campanha pela  democratização dos meios de comunicação, através da PLIP - projeto de lei de inciativa popular - quem continuará pagando pelo atraso midiático e jornalístico  em que vivemos, será você, caro leitor, com todo o repertório de desdobramentos na vida democrática que tal atraso contempla.

PS. Cadê o DARF ?