sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Desenvolvimento

O desenvolvimento não é um caso de polícia

A suposição de que existe um 'mercado puro' ignora a realidade dos cartéis e oligopólios coordenados pela voragem da dinâmica finananceira mundial.

por: Saul Leblon 

Agência Brasil
Em sua cruzada contra a corrupção, o juiz Moro anunciou que ademais do setor petrolífero, ilícitos detectados na área elétrica passarão também a ser de sua conta.

Em breve, o mesmo fio condutor poderá leva-lo a práticas e protagonismos semelhantes – às vezes até com os mesmos personagens e métodos --   em um outro setor, depois em outro e outro, até quem sabe roçar a área financeira.

Desta vislumbrará, quem sabe, uma espiral de malfeitos encadeados agora na esfera global.

Incansável, o esquadra do Paraná navegará então seu fervor missioneiro por entre acordos e associações cada vez mais complexos, emaranhados e cartelizados, que poderá avocar igualmente como de sua alçada por conta dos encadeamentos intrínsecos.

Em algum momento nesse périplo, o juiz Moro poderá invadir a seara da Alta Corte inglesa. Ali, o juiz Cooke, calçado em investigações do Serviço de Fraudes Sérias, acaba de condenar  o primeiro réu do escândalo da Libor.

Tom  Hayes, o sentenciado, criou um cartel para fixar a taxa de juro tomada como referência na correção de trilhões de dólares em ativos no mundo.

Hayes manipulou dados para coloca-la a serviço das carteiras e lucros de seu banco, o UBS.

Fez isso em conluio com outros bancos e operadores em diferentes praças do mundo.

Nada muito diferente do que armaram os empreiteiros da Petrobrás; ou os executivos da Siemens, Alstom e assemelhado no metrô de São Paulo; ou que fazem, ainda, bancos e endinheirados nativos, parte deles flagrados no escândalo do HSBC que revelou a plutocracia brasileira como topo de linha no ranking internacional de lavagens e sonegação...

Com todo esse caminho pela frente, o meritíssimo de Curitiba corre o risco de repetir assim o mapa inútil de Borges: aquele que se auto anula ao adquirir, finalmente, a escala da realidade.

A escala do capitalismo em nosso tempo é a da grande geografia dos carteis e oligopólios induzidos e coordenados pela voragem da dinâmica financeira.

Hoje eles abarcam da produção de cerveja a de sucrilhos, passando pela de lâmpadas, aviões, navios, plataformas de petróleo, vagões de metrô, tarifas de bancos, spreads (especialidade do sindicato dos bancos brasileiros, a Febraban) e taxas de juros, como mostra o escândalo da vetusta praça de Londres.

O cartel de bancos que manipulou a Libor durante anos, com implicações na estrutura de custos de todas as praças do planeta,  evidencia  o quanto o mito da livre iniciativa tem de propaganda enganosa (Leia o especial de Carta Maior)

Essa constatação não deve ser confundida com um endosso passivo à corrupção como se fora ela uma fatalidade.

O que a cartografia capitalista do século XXI argui, porém, é a irrelevância da centralidade no método, nas referências e consequências de bisonhos exércitos de brancaleones que se propõem a faxinar o capitalismo, como se o desafio estrutural do desenvolvimento no século XXI fosse um caso de polícia.

Há mais coisas entre o céu e a terra do que a vã filosofia da república de Curitiba consegue enxergar.

No rastro dos depuradores do capitalismo, alguns dotados de indisfarçável escovão ideológico, pavimenta-se frequentemente o oposto: o fortalecimento de lógicas e interesses que convalidam justamente o que se supõe combater.

Isso é mais que uma ópera bufa de salvadores da pátria.

É uma tragédia que o Brasil enfrente a encruzilhada do seu desenvolvimento nesse momento engessado por critérios tão bisonhos, incensados por uma mídia de igual mediocridade, empenhada acima de tudo em agilizar o abate do ‘Cecil’ que desde 2002 atormenta a sua preferência na savana local.

A suposição de que existe um mercado puro --como o Deus com quem o procurador  Dallagnol se comunica--   enfrenta colisões apreciáveis  com a realidade do capitalismo em nosso tempo.

Não é só a Libor ou a Petrobras.

Vivemos  um tempo em que a supremacia dos oligopólios  -- e o entrelaçamento coordenado entre bancos e corporações--  e a deriva da sociedade e do seu desenvolvimento não são realidades antagônicas.

Antes, exprimem uma racionalidade impossível de se combater sem uma intervenção política que credencie o Estado para isso.

Eis o drama da Lava Jato.

É justamente o oposto do que pregam, executam e propagandeiam os interesses embarcados na sulforosa cruzada de Moro e seus procuradores.

No capitalismo do nosso tempo, o cartel planeja a sociedade.

Quem não se lembra do exemplo pedagógico flagrado no esquecido escândalo do metrô de SP?

Protagonista da engrenagem que há 20 anos ‘adequa’ as licitações do sistema, a multinacional francesa Alstom avocou-se em 2005 a prerrogativa de alterar o traçado de uma linha e incluir uma nova estação no trajeto.

A notícia, embora tenha merecido editorial da Folha, não motivou colunistas da indignação seletiva a denunciarem o desembaraço nas relações entre o cartel e o governo tucano.

Aos poucos o assunto morreu, com as investigações circunscritas a escalões inferiores.

Mas o caso deixa rastros sugestivos.

Eles evidenciam o quão profunda pode ser a ingerência do interesse privado na esfera pública, quando esta jaz imobilizada por um torniquete feito de  Estado fraco, incapacidade de planejamento público e crispação de interesses políticos fundidos à voragem dos mercados.

No caso, a multinacional francesa em conluio com outros fornecedores precisou de apenas 12 dias para emplacar uma novidade que a burocracia estadual tucana não previra em anos.

Ademais de alterar trajetos e estações, reduziu o mobiliário do conjunto, sem desconto correspondente, o que sugere um saldo capaz de lubrificar o bom entendimento entre bolsos corporativos, partidários e individuais.

Lembra a dinâmica investigada pela Lava Jato?

Estamos diante de algo maior, portanto.

Maior que a particularidade da corrupção real e intrínseca às relações entre metrô de São Paulo, Alstons & Siemens, ou da Petrobras, Odebrechts & Camargos e casos equivalentes urbi et orbi.

Aos ingênuos e espertos, que embarcam o ‘gigantismo estatal’ na lista dos demônios a serem calcinados na fornalha de Curitiba, cabe esclarecer: a tragédia que devora o nosso tempo é de natureza justamente oposta, e nos coloca diante do custo  de um  ‘intervencionismo' às avessas.

Qual?

Aquele em que o oligopólio subordina a sociedade aos seus interesses, intento magnificado a partir do tsunami neoliberal dos anos 70/80.

Foi esse o divisor que restringiu as ferramentas e a capacidade de planejamento do Estado de tal modo, que afogou a agenda do desenvolvimento deixando reduzido espaço de implementação para o que se pactua hoje na urna, na política democrática e nas promessas dos partidos progressistas a seus eleitores.

O braço local dessa engrenagem devastadora é o mesmo que agora pega carona na Lava Jato para retornar ao poder e terminar o  serviço intensificado a partir de 1995, com a chegada de FHC ao Planalto.

A saber, reverter direitos sociais e trabalhistas; comprimir ganhos reais de salário, esfacelar o pleno emprego e, com ele, o poder de barganha sindical...

Assim por diante.

Sobretudo, trata-se de retomar as grandes privatizações do patrimônio público brasileiro, do qual ainda restam alvos suculentos, como o Banco do Brasil, o BNDES, a Caixa Federal, a Previdência Social, o SUS e a joia da coroa deste e de todos os tempos: o pre-sal, cuja mastigação já vem sendo amaciada por Serra, e novo postulante ao comando desse revival.

Aquilo que já foi feito está presente no DNA da corrupção que agora se combate cortando cabeças.

Um Estado ainda mais fraco, como o que se preconiza no desfecho da crise atual, diante de um mercado desregulado ainda mais forte, com um governante adicionalmente refém de seus interesses, fará com que cada cabeça cortada hoje pelas mãos justiceiras de Moro se reproduza em dobro amanhã, como na mitologia da serpente Hidra nos doze trabalhos de Hércules.

Não é uma jabuticaba brasileira.

Trata-se de um traço constitutivo do capitalismo atual, existindo inclusive uma régua técnica para medir esse paradoxo da hegemonia neoliberal.

A ‘razão de concentração de mercados’, esse o nome, indica o quanto um setor da economia é dominado pelos seus quatro maiores atores corporativos  -cartéis virtuais ou potenciais.

Hoje essa dinâmica concentradora se alastra por diferentes áreas econômicas em todo o globo.

Razões sistêmicas, associadas às derrotas e recuos da esquerda mundial, reforçaram esse desenho característico do movimento de expansão e concentração do capital em nosso tempo, coagulado na forma de uma dominância financeira cada vez mais autônoma, densa e abrangente

A migração do capital em direção à liquidez, ademais de refletir uma forma superior de dominação sobre a economia e a sociedade (exacerbada pela livre mobilidade dos fluxos especulativos) atende também a uma necessidade estrutural da economia.

A formação de grandes fundos é um requisito intrínseco à escala dos financiamentos requeridos pelo agigantamento dos projetos de infraestrutura, planos de universalização de serviços e, cada vez mais de agora em diante, pelas exigências de enfrentamento dos desequilíbrios climáticos (gigantescos planos de reciclagem energética, prevenção de desastres climáticos etc).

Essa agregação de grandes massas de capitais teria que ser feita por alguém.

Que ela ocorra por meio de cartéis dilapidadores ou se dê pela subordinação ao planejamento democrático do Estado, eis a disjuntiva crucial da luta pelo desenvolvimento em nosso tempo.

A crise de 2008 mostrou para onde a coisa caminha quando os mercados ficam livres –‘autorregulados’-- para manipular a variável financeira, a serviço de estripulias especulativas, dissociadas de parâmetros produtivos e sociais.

As experiências sucessivas das grandes crises capitalistas, desde 1929, evidenciam, em contrapartida,  a incontornável necessidade de um poder de coordenação, capaz de alocar esses recursos de forma a coloca-los efetivamente  a serviço da sociedade.

Todo o desafio brasileiro hoje gira em torno desse nó górdio:  quem vai organizar o passo seguinte do desenvolvimento do país?

O escândalo da Laja Jato reflete –além da subjacente deformação irradiada pelo financiamento eleitoral—  a falta de um verdadeiro, transparente e democrático poder de coordenação da sociedade sobre as forças de mercado.

Na sua ausência criou-se o limbo.

Nele floresceu a endogamia dos interesses rapinosos de carteis, burocratas e políticos.

A punição exemplar é uma parte do antídoto.

Mas a questão do desenvolvimento subjacente à Lava Jato, definitivamente, não é um caso de polícia.

A mitologia em torno da Lava Jato alardeia  que a purga em marcha fará emergir um capitalismo saneado, capaz de assumir as tarefas e desafios brasileiros no século XXI.

Essa subestimação da Hidra ancora-se na suposta  existência de um ponto de equilíbrio intrínseco aos mercados, que dispensaria o poder de indução, coordenação e harmonização do Estado na construção de uma sociedade mais próspera e equitativa.

A espiral  da concentração capitalista em todo o globo, que reduz a agenda dos livres mercados a uma marca de fantasia desprovida de chão histórico, depõe contra o mirante  singelo, a partir do qual a república de Curitiba se avoca em parteira desse novo Brasil.

O país real e o seu desenvolvimento continuam à espera de uma repactuação política que devolva a polícia e os mercados ao seu devido lugar

Fonte: CARTA MAIOR
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E o povo ?

Nem governo nem oposição têm a saída’
afirma sociólogo sobre crise política



Destaque Brasil


Foto: Reprodução/ Youtube
O sociólogo Brasilio Sallum, autor do recém-lançado livro O Impeachment de Fernando Collor, não vê saída para a crise política atual porque o governo da presidente Dilma Rousseff não tem clareza da direção a tomar nem a oposição tem “horizonte” a seguir. Para o professor da USP, os movimentos que defendem o afastamento da petista têm força para “empurrar” os partidos, mas isso é insuficiente para desencadear o processo político em si.
Perguntado se é possível o governo sair da crise política, o sociólogo disse que “passamos por incertezas que não têm respostas claras nem do governo nem da oposição. Paulatinamente, estamos amadurecendo”. Ele reconhece que o fato de o governo tentar hoje ajustar as contas “já é um enorme avanço” em relação ao que antes da eleição se dizia, de que não estávamos em crise econômica, que o mundo era uma maravilha. “Nós, pelo menos hoje, temos absoluta consciência de que devemos fazer alguma coisa. A crise política é grave por, no mínimo, três razões: pelo fato de a presidente ter perdido autoridade, pelo enfraquecimento da coalizão e pela baixa popularidade de Dilma. Por outro lado, as forças que se opõem a ela não têm horizonte claro a perseguir. Não sabemos a qual direção a presidente quer levar o País.”
Segundo Sallum, como não estamos vendo uma coalizão definida e clara, que trabalhe especificamente pelo impeachment, “não se pode dizer que hoje haja beneficiários. Como funciona o processo? Você tem oposições, que se organizam contra o presidente, mas ao mesmo tempo se organizam em favor do vice. Na época do ex-presidente Fernando Collor, houve isso: uma coalizão entre PMDB, PSDB e PT, que se articularam contra o Collor, conseguiram maioria e atraíram ex-aliados do ex-presidente. É isso que não existe hoje”.
Questionado se as ruas podem hoje estimular esse movimento, ele respondeu que os movimentos de rua não têm a menor condição de fazer isso hoje. “As mobilizações da época do Collor foram articuladas com partidos e por uma rede de mais de 100 organizações. Os movimentos de hoje, desde os de 2013, não têm condução partidária. As ruas hoje empurram os partidos, mas não são empurradas pelos partidos. Parece que hoje a relação é inversa àquela verificada na época de Collor. Em geral, mobilizações sempre têm um cordel, são puxadas por aqueles que fazem parte do sistema político, mesmo em posição secundária. A questão é que os partidos não estão conseguindo dar direção à demanda. Os partidos estão muito desorganizados, têm alas diferentes com dificuldade de manter uma unidade, têm facções que agem de formas distintas.”
Para o sociólogo, há hoje tentativas, ameaças, ‘pautas-bomba’. “Mas os obstáculos são muito grandes para se alcançar o impedimento. Os sinais ainda não são totalmente claros, não é um movimento que será facilmente bem-sucedido. As dificuldades jurídicas e políticas serão bastante grandes, não vejo o impeachment visível no horizonte, embora haja movimentos nessa direção.”
Sobre o peso da Operação Lava Jato nesse contexto, o sociólogo avalia que “o problema é que a Lava Jato mostra de um lado que as instituições estão funcionando extraordinariamente bem do ponto de vista institucional, produzindo minibombas políticas. Isso tornam difíceis as associações – as agregações, digamos – entre os políticos, porque eles são passíveis de processos. Todos os mecanismos de articulação política estão sujeitos a receber o impacto da Lava Jato. Depois que o Eduardo Cunha foi envolvido nas investigações, a Câmara passou a ser uma fonte potencial de obstáculos”. 
Fonte: MANCHETE ONLINE
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Situação da economia e do gasto público não é culpa de Dilma, diz economista

Para Schymura, a forte desaceleração não foi provocada pela "nova matriz macroeconômica"


Para o diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) Luiz Guilherme Schymura, a atual situação da economia brasileira e do gasto público não é “culpa da presidente Dilma Rousseff”. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, nesta sexta-feira (7/8), Schymura afirma que a forte desaceleração da economia brasileira não foi provocada pela "nova matriz macroeconômica" adotada pelo governo. Segundo ele, é resultado do processo de democratização do país e das reivindicações da sociedade por melhores serviços públicos. Para o diretor do Ibre, o gasto público é crescente porque existe uma demanda da sociedade por mais democracia e melhores serviços públicos.


Na entrevista ao Valor, Schymura comentou  a eclosão dos protestos de rua, em 2013: “Já li e conversei muito sobre isso, mas ainda não vi uma resposta para o fato de que tivemos em 2013 o início daqueles movimentos de rua num contexto de queda do desemprego, aumento do salário médio real, inflação domesticada”. De acordo com ele, a explicação é que as pessoas querem mais e querem serviços públicos decentes. “Hoje, temos uma economia vivendo uma situação traumática, com contração do PIB de 2,2% [projeção do Ibre para 2015], inflação que subiu de 6% para quase 10%. Tenho dificuldade em entender como é que não há mais manifestações”.

Dilma Rousseff
Dilma Rousseff
De acordo com Schymura, a queda do Produto interno Bruto (PIB) está relacionada ao menor ritmo de crescimento da economia mundial e, principalmente, a um problema fiscal que, nos anos do governo Lula, foi "disfarçado" pelo aumento constante da arrecadação tributária. “Na época do Lula , a receita crescia em torno de 10% ao ano em termos de reais . A despesa crescia 7%. Então, o problema do gasto crescente estava disfarçado. “Não foi por decisão de Dilma que o gasto cresceu. Cresceu porque o gasto cresceu.
À frente do Ibre, ele tem procurado ampliar o debate. Em 2013, convidou Nelson Barbosa, atual ministro do Planejamento e representante da escola desenvolvimentista, a trabalhar no Ibre. "Não defino, de forma alguma, o Ibre como um centro do pensamento liberal. O instituto tem, até por tradição, uma corrente liberal muito forte, mas não estamos fechados, disse  ao Valor Econômico.
Schymura destacou na entrevista que o Ibre não tem opinião:  ”É por isso que tento me manifestar o mínimo. Quero atrair as várias correntes do pensamento para melhorar o entendimento da economia do país.
O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) é o "think tank" mais antigo do país, fundado em 1951 por três expoentes do pensamento liberal nacional: Eugênio Gudin, Alexandre Kafka e Roberto Campos. PhD pela EPGE, a escola de pós-graduação da FGV do Rio.
Fonte: JORNAL DO BRASIL
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As manchetes dos principais jornais do país, hoje, dão destaque ao "panelaço" que teria ocorrido , ontem, em várias cidades.
Os jornais, como de costume e por terem seu lado político, ouviram o som de panelas. Não que panelas não tivessem sido usadas para fazer barulho,  apenas mais um pouco do barulho político que tomou conta do país.
Por outro lado, o que teria detonado o bater de panelas foi o programa político do PT, nos rádios e emissoras de TV, e que teve pronunciamento da presidenta Dilma. 
Um programa de partido político que governa o país deve ter alguma mensagem, um conteúdo, ainda mais em momento de crise, de incertezas e , consequentemente,  de oportunidades. 
No entanto, nenhum veículo da grande mídia priorizou , como manchete, o conteúdo  e a mensagem implícita  do partido do governo e da presidenta.
Entre a mensagem e o barulho , a imprensa optou pelo barulho, algo, aliás, que a velha mídia tem feito ao longo dos anos de governo do PT.
Na internete, nos sites, portais e blogues de notícia, destaque tem sido dado para o fato de que o panelaço foi menor que os anteriores, que somente os ricos fizeram barulho, que nas periferias não se ouviu panelas em transe e outras observações na mesma linha de avaliação dos fatos.
Essas avaliações são verdadeiras, assim como também é verdeiro que pessoas bateram  bateram panelas.
E as soluções e propostas para o país sair, ou pelo menos se afastar, da crise política, a única crise, de fato, com desdobramentos que podem ser desastrosos para a maioria do povo brasileiro ?
Nas mídias , velhas e novas, nada de propostas, apenas a disputa pela narrativa , daquilo que foi ou não revelante, Se teve muita gente batendo panela, ou se o número de pessoas foi pequeno, e por aí
Se o clima continuar desse jeito, cada lado tentando gritar mais alto, todo mundo perderá a voz , e o pior pode acontecer, pois para  os oportunistas e golpistas  de plantão, esse é o cenário ideal para , pelo menos encaminhar tentativas de impeachment da presidenta.

O tal panelaço de ontem, que de fato aconteceu, não pode ser considerado como uma manifestação que reuniu uma amostra significativa da sociedade brasileira.  
Não foi um ato onde todas as classes sociais e camadas da sociedade se fizeram presentes. 
Bateram panelas os ricos e parcela da classe média alta. 
Esse mesmo grupo  que sai às ruas  para se  manifestar contra o governo, como deve ocorrer este mês, em mais uma manifestação organizada pelos oportunistas  acima citados.
Não se pode dizer, com base de dados  estatística e científica, que tal grupo seja uma amostra representativa da totalidade da sociedade brasileira. 
É o grupo que tem como aliados a  totalidade velha mídia - jornais, revistas e emissoras de TV privadas -  partidos e políticos de oposição interessados em desestabilizar o país.
Como pode uma pesquisa de opinião ser representativa de toda sociedade brasileira  se essa sociedade se informa, desenvolve opinião, baseado naquilo que um lado político -a velha mídia - deseja ? 
Sim, quem sugere novas eleições , agora, para presidência da república, quer levar no grito.

No outro lado da gritaria,os defensores do governo, que minimizam o panelaço e priorizam informações sobre os programas bem sucedidos do governo, as tentativas em ajustes e programas para o país  sair da crise econômica e o sucesso de empresas estatais, como a Petrobras, que tem sido foco de ataques da oposição e apresentada  pela velha mídia somente como foco de corrupção. Nesse lado, o alcance das informações  e análises produzidas sobre a situação do país e as crises e disputas existentes é bem menor que o lado contrário ao governo, já que tais conteúdos não aparecem na velha mídia , local, ainda, de referência para informação de muitas pessoas. O lado de apoio ao governo comete o mesmo erro do lado contrário ao governo, pois também insiste na disputa pela conquista da narrativa, do grito mais alto. Também se manifesta nas ruas, não com barulho de panelas, mas com passeatas organizadas pela classe de trabalhadores organizados, sindicatos e centrais sindicais, levando às ruas , também, uma amostra que não é significativa do conjunto da sociedade.

Agindo dessa forma, o governo e seus defensores assim como a velha mídia e oposições, não apresentam  alternativas para as soluções que a maioria da população brasileira espera. O governo não apresenta  alternativas e as oposições querem apenas tomar o poder, também sem alternativas reais e objetivas.
Por outro lado,  a maioria da população não bate panelas, não sai em passeatas que tem por objetivo  golpes contra a democracia, e também não acompanha nas ruas a base organizada dos trabalhadores que apóiam o governo.

Em suma, enquanto grupos brigam pelo poder, a maioria da população sofre, aliás , como sempre acontece quando políticos e seus grupos afins se distanciam das necessidades reais do povo.
É o exemplo do congresso nacional, onde uma luta sangrenta acontece, distante do aroma matinal do café nas casas das pessoas.
São os partidos  e políticos de oposição ao governo e ao país, que visam somente a tomada do poder  com as consequentes vantagens em exercê-lo.
É o exemplo da imprensa e toda a velha mídia , que apóia e incentiva o clima de conflito permanente no país, ocultando e omitindo informações e ainda  produzindo conteúdos desequilibrados sobre a realidade. 
É o governo que não ousa, acreditando em soluções ortodoxas conhecidamente ineficazes para a maioria do povo.

Até o momento as manifestações de rua, panelas em transe e outras performances, não são representativas do conjunto da sociedade. Sociedade, ao que parece pelas evidências, deseja soluções para as crises, sem alterar as regras do jogo democrático, apesar do resultado de pesquisas oportunistas. 

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Mentiras em série


Fonte: BRASIL DE FATO
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“A Veja acerta sempre”, disse Augusto Nunes dois dias antes de desmentido sobre conta falsa de Romário
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
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Romário quer R$ 75 milhões da Veja, que é reincidente em disseminar falsas contas; revista precisa explicar origem do documento publicado

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Na noite de ontem, às 19h15m, o Viomundo foi o primeiro site a publicar a existência do documento enviado pelo banco suiço a Romário (que pede, inclusive, investigação ao Ministério Público da Suiça).
Luciana Cerqueira notou que o blogueiro deVeja poderia ter esperado mais um minutinho antes de escrever besteira.
Às 22:07, ele achou uma forma de acusar os “blogs sujos”.
Às 22:08 a revista Veja publicou no twitter sua retratação!
Seria cômico, não fosse trágico

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Fonte: VIOMUNDO  





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Nassif: Lava Jato reescreve história
da corrupção na Petrobras com 
informações falsas
publicado em 05 de agosto de 2015 às 17:55
rennó P36 e Efram
O ex-presidente da Petrobras Joel Rennó, a super-plataforma P-36, que afundou 
na Bacia de Campos no governo FHC, e German Efromovich, da Marítima
Fonte: VIOMUNDO
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PSDB e mídia engolem a bomba

Senado homenageia TV Globo 

em clima de desapego à história 

e a verdade

Renan Calheiros exaltou o compromisso da emissora com 

a liberdade de expressão e instituiu o Prêmio Roberto Marinho 

de Mérito Jornalístico+

reprodução
O Senado realizou uma sessão especial, nesta quarta (5), para homenagear os 50 anos da TV Globo, a emissora que nasceu e se consolidou à base da sua associação com a mesma ditadura militar que calou o Congresso e significou a maior ruptura democrática do Brasil.

Fonte: CARTA MAIOR
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Todas as manchetes acima são de hoje, 06.08.2015.

Estão em blogues, sites e portais de notícia da internete.

Em comum, mentiras que aparecem na grande imprensa, diariamente e até mesmo em diferentes fases de um dia.

Mentiras que se repetem, tal qual o papagaio da charge, a narrativa  que agride a realidade, o dinheiro em conta de banco que não existe, o blogueiro de Veja e sua semântica na tentativa de ignorar os fatos  e a famosa bolinha bomba.

Por fim, fim apenas das notícias acima, um Senado na contramão da história do país, em rota de colisão com o presente e organizando um sequestro do futuro
.
Narrativas que se apropriam das emoções das pessoas, produzem opiniões, que geram outras narrativas,  que geram outras emoções.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A cerejeira floriu

Xico Sá, Duvivier, Jô Soares e o fenômeno da patrulha de direita. Por Kiko Nogueira

"Esquerdopata!": Donald Sutherland em "Os Invasores de Corpos"
“Esquerdopata!”: Donald Sutherland em “Os Invasores de Corpos”

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Xico Sá está apanhando nas redes sociais por um haicai (“viver é estouro/ sou mais Zé Dirceu/ q o tal do Mouro”) e alguns tuítes (“Não, não, nao, ñ me incomoda q o Psdb seja inimputável, o q me deixa puto é e q a justiça brasileira só veja um lado”, por exemplo).

Gregório Duvivier é chamado de esquerda caviar, comunista e petralha. No ano passado, chegou a ser agredido verbalmente num restaurante no Leblon. Um sujeito falou que ele deveria estar almoçando no bandejão, “já que gosta tanto de pobre”.

Jô Soares é um vendido e um cachorro que senta, deita e rola para Dilma. Uma manhã acordou com uma pichação pedindo sua cabeça no asfalto em frente a seu apartamento em Higienópolis.

Marieta Severo, ao discordar do discurso catastrofista invariavelmente pedestre de Faustão, foi acusada de viver às custas da Lei Rouanet.

Eu sou comunista. Você é comunista. Sua mãe, sua irmã e seu tio são comunistas.

A patrulha ideológica direitista é um fenômeno crescente no Brasil. O mesmo pessoal que vê a ditadura bolivariana debaixo da cama — a mesma ditadura bolivariana que, segundo uma lógica sinistra, manda prender Dirceu, do mesmo partido da ditadura bolivariana — não admite que qualquer pessoa desvie do pensamento único.

Se o sujeito não comunga da mesma visão de mundo, só pode ser por dinheiro, fora o desvio de conduta. Jamais por ideologia ou simpatia a outra causa.

Um dos que mais apontaram o dedo para os “inimigos”, recentemente, foi o dono do blog tucano Implicante, de um certo Gravataí Merengue, pseudônimo idiota de Fernando Gouvea. Gouvea recebia, no final das contas, 70 mil reais por mês do governo Alckmin para fazer esse papel.

Gente como Lobão adora reclamar que seus colegas são “paumolengas” por não embarcarem em sua cavalgada antipetista. Seus seguidores repetem a cantilena. Ora, por que deveriam? É obrigatório? Segundo quem?

De acordo com essas milícias, é crime ser de esquerda, especialmente se o cidadão ganha mais de dois salários mínimos — embora a Constituição assegure o direito de qualquer um crer no que quiser.

Por trás disso, há uma inversão de valores formidável. O artista, ou jornalista, ou engenheiro espacial que bate no governo é corajoso. Ora, vivemos num lugar onde um policial federal se orgulha publicamente de praticar tiro ao alvo com uma foto de Dilma e nada acontece — para ficar em apenas em um caso de “republicanismo”.

Liberdade de pensamento é algo proibitivo para quem vive nessa ilusão monomaníaca. O ex-comediante Danilo Gentili se diz indignado com o fato de seus pares não terem feito piadas com a declaração de Dilma sobre a mandioca (eis um tipo de humor refinado).

Ele, sim, se considera destemido. Agora, tirar um sarro de seu patrão Silvio Santos, nem pensar. Os Simpsons tripudiam com Murdoch, o dono da Fox, há anos.

Um clássico do horror e da ficção científica que serve para ilustrar esse momento é “Invasores de Corpos”. Numa cidade californiana, alienígenas criam clones de humanos, totalmente desprovidos de emoções. Ninguém move uma palha, até a situação ficar insustentável.

Don Siegel, o diretor da versão original, de 1965, fez uma alegoria da caça às bruxas do senador Joseph McCarthy e da omissão da sociedade diante de seus métodos totalitários. “Eu vi acontecer lentamente, ao invés de tudo de uma vez”, diz o herói, o médico Miles Bennel.

O neomacartismo vagabundo brasileiro viceja mais rápido do que se esperava.

Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
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Ontem publiquei um texto do The Guardian sobre o início do fim do capitalismo.

Talvez ajude a explicar o desespero da direita, da mídia de direita, dos acéfalos da rede de extrema direita.

Sem essa de volta de esquerda como era conhecida no século XX, mas também sem medo de encarar a nova realidade.

Essa nova realidade é o início do fim do capitalismo, que grande parte da  extrema direita da rede não sabe, não vê, não entende, porém, percebe de alguma forma , e com isso tem medo.

Do medo surge a reação irracional, surgem os ataques, e , principalmente, a insegurança.

A direita totalitária vive seu auge de insegurança e medo, deixando para os replicantes  acéfalos o trabalho sujo e violento.

O auge da insegurança e da irracionalidade se apresenta em um congresso nacional - representantes das pessoas - empenhado em uma disputa política, distante das pessoas , da economia real, do país. 

Um outro país  acreditando estar discutindo o país, enquanto o dia-a-dia das pessoas continua , distante da realidade do país, do congresso, local que reúne os representantes das pessoas, pessoas que seguem no dia -a dia e que não tem interesse em mudar o nome do boteco, ou o  dono  do estabelecimento.

O outro país que acredita estar discutindo o país,  um dos sintomas do início do fim do capitalismo,  tem também sua imprensa, sua mídia, seu judiciário, que, diariamente despejam conteúdos noticiosos sobre os caminhos supostamente moralizantes que o país vem trilhando.

No entanto, o dia-a-dia das pessoas, pessoas que elegeram os representantes do congresso  e que se informam pela velha mídia, é bem diferente do país que discute o país.

Os anseios, as necessidades, as trocas,  e as relações das pessoas, estão em um outro país, diferente do país do congresso nacional, do executivo, do ajuste fiscal, do judiciário, da imprensa.

A imprensa , a grande imprensa e a velha mídia estão muito distantes da realidade das pessoas, seja pelo conteúdo jornalístico, informativo, entretenimento e até mesmo estético.

Para a grande maioria das pessoas o dia- a - dia do país não se resume a agenda das instituições, suas idas e vindas , seus erros e acertos. Durante as últimas  décadas a notícia é sinônimo de instituição, como se a vida das pessoas dependesse somente das instituições.

O que acontece hoje no Brasil, de certa forma, é que vem acontecendo em todo o mundo, onde algo real, concreto, novo, em rede, compartilhado, solidário, vem crescendo independente do país que está discutindo e moralizando o país.

As pessoas veem, ouvem, e seguem, fazendo suas escolhas , vivendo a realidade.
Escolhas que não tem se alterado por mais de uma década, apesar da "crise", da imprensa, da agenda,  do câmbio, do Levy, do Lobão.

Hoje, a imprensa e a mídia não falam de outra coisa que falaram ontem, no domingo , no ano passado, no passado.

Moro mandou Dirceu para a prisão.
A imprensa gostou, bateu palmas, elogiou o justiceiro fanfarrão.
Todo mundo leu, todo mundo viu, a vida segue, a imprensa não comove, no entanto, algo novo pelo mundo se move.

O excesso de discurso moralista assusta, as pessoas desconfiam, pois, conscientes ou não, sabem que a imperfeição é a regra e , desta forma, a acusação é o desejo de estar no lugar do acusado,  a ordem de prisão é a abertura de vaga para o moralista ladrão, as palmas são a expressão da ansiedade pela chegada tão esperada vez, tentada, vezes em vão.

O herói e o agora vilão se confundem, se misturam, tornam-se uma só pessoa, real, desejada.
O inconsciente é mais forte, e a realidade vence.


Enquanto se discute a cor das cadeiras e das mesas do boteco, as pessoas de pé, no balcão, fazem suas trocas.

Moro manda Dirceu para a prisão.
Todo mundo leu , todo mundo viu.
A imprensa gostou, bate palmas.
A cerejeira floriu e o povo aplaudiu.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

O Fim do Capitalismo

'The Guardian': O fim do capitalismo já começou

“Sem nos darmos conta, estamos entrando na era pós-capitalista", diz Paul Mason

Jornal do Brasil


O jornalista britânico, editor de economia do Channel 4, da BBC e colunista do jornal The Guardian, Paul Mason lançou no final de julho um livro no qual reflete sobre o fim do capitalismo como o conhecemos. O Pós-Capitalismo, termo que também dá título ao livro, seria uma sociedade sem mercado, onde as pessoas trabalhariam menos, e em que matérias-primas, energia e alimentos não seriam abundantes.


De acordo com o autor, a marcha das bandeiras vermelhas com canções do Syriza durante a crise grega, mais a expectativa de que os bancos seriam nacionalizados, reavivou brevemente um sonho do século 20: a destruição forçada do mercado a partir de cima. Durante grande parte do século 20 foi assim que a esquerda concebeu a primeira fase de uma economia para além do capitalismo. A força será aplicada pela classe trabalhadora, seja nas urnas ou nas barricadas. A alavanca seria o estado. A oportunidade viria através de frequentes episódios de colapso econômico.



Artigo publicado no 'The Guardian': 'O fim do capitalismo já começou'

Em vez disso, nos últimos 25 anos tem sido o projeto da esquerda que entrou em colapso. O mercado destruiu o plano; individualismo foi substituído coletivismo e pela solidariedade; a força de trabalho extremamente expandida do mundo se parece com um "proletariado", mas já não pensa ou se comporta como antes.

Se você passou por tudo isso, e não gostou do capitalismo, foi traumático. Mas, no processo de tecnologia criou uma nova rota para além, que os remanescentes da velha esquerda - e todas as outras forças influenciadas por ela – terão de abraçar ou morrer. O capitalismo, ao que parece, não será abolido por técnicas de marcha forçada. Ele vai ser abolido através da criação de algo mais dinâmico que existe, em primeiro lugar, quase invisível dentro do velho sistema, mas que irá rompê-lo, remodelando a economia em torno de novos valores e comportamentos. Eu chamo isso de pós-capitalismo.

Para Masom, Tal como aconteceu com o fim do feudalismo há 500 anos, a substituição do capitalismo pelo pós-capitalismo será acelerado por choques externos e moldado pelo surgimento de um novo tipo de ser humano. E ele já começou.

Segundo o economista, o pós-capitalismo é possível por causa de três grandes mudanças que a tecnologia da informação trouxe nos últimos 25 anos. Primeiro, reduziu a necessidade de trabalho, aparou as arestas entre trabalho e tempo livre e afrouxou a relação entre trabalho e salários. A próxima onda de automação, atualmente num impasse, porque a nossa infraestrutura social não pode arcar com as consequências, vai diminuir a enorme quantidade de trabalho necessário - não apenas para subsistir, mas para proporcionar uma vida digna para todos.

Em segundo lugar, a informação está corroendo a capacidade do mercado para formar preços corretamente. Isso é porque os mercados são baseados em escassez enquanto a informação é abundante. O mecanismo de defesa do sistema é formar monopólios - as empresas gigantes de tecnologia - em uma escala não vista nos últimos 200 anos, mas eles não podem durar. Através da construção de modelos de negócios e partes das avaliações baseadas na captura e privatização de todas as informações socialmente produzidas, essas empresas estão construindo um edifício corporativo frágil em desacordo com a necessidade mais básica da humanidade, que é a utilização de idéias livremente.

Em terceiro lugar, estamos vendo o surgimento espontâneo da produção colaborativa: bens, serviços e organizações estão aparecendo que já não respondem aos ditames do mercado e da hierarquia gerencial. O maior produto de informação no mundo - Wikipedia - é feito por voluntários gratuitamente, abolindo o negócio enciclopédia e privando a indústria da publicidade de cerca de US $ 3 bilhões por ano em receitas.

Na opinião de Mason, quase despercebida, nos nichos e reentrâncias do sistema de mercado, trechos inteiros da vida econômica estão começando a mover-se para um ritmo diferente. Moedas paralelas, bancos, cooperativas de tempo e espaços auto-geridos têm proliferado, mal notados pelos economistas, e muitas vezes como um resultado direto da quebra das estruturas antigas na crise pós-2008.

Para o economista, você só encontra esta nova economia, se você olhar duro para isso. Na Grécia, quando uma ONG de base mapeava cooperativas do país - de alimentos, produtores alternativos, moedas paralelas e sistemas de câmbio locais - encontraram mais de 70 projetos substanciais e centenas de iniciativas menores que variavam de suporte de boleias a jardins de infância gratuitos. Para economia principal tais coisas parecem ruins para se qualificar como atividade econômica - mas esse é o ponto. Eles existem no comércio, hesitante e de forma ineficiente, na moeda do pós-capitalismo: tempo livre, a atividade de rede e material livre. Parece uma coisa escassa e não oficial e até mesmo perigosa a partir da qual se constitui uma alternativa inteira para um sistema global, mas assim como o dinheiro e o crédito na idade de Edward III.

Novas formas de propriedade, novas formas de concessão de empréstimos, novos contratos legais: um negócio de subcultura inteira emergiu nos últimos 10 anos, o que a mídia apelidou de "economia compartilhada". Chavões tais como os "commons" e "peer-produção" são jogados ao redor, mas poucos se preocuparam em perguntar o que isso significa para o desenvolvimento e para o próprio capitalismo.

Em seu livro, ele acredita que há uma rota de fuga - mas somente se estes projetos a nível micro são nutridos, promovidos e protegidos por uma mudança fundamental feita pelos governos. E esta deve ser conduzida por uma mudança em nosso pensamento - sobre tecnologia, propriedade e trabalho. De modo que, quando criamos os elementos do novo sistema, podemos dizer a nós mesmos e para os outros: "Este não é mais simplesmente o meu mecanismo de sobrevivência, meu buraco do parafuso do mundo neoliberal; esta é uma nova forma de viver no processo de formação".

Segundo a análise de Mason, a crise de 2008 reduziu 13% da produção global e 20% do comércio global. O crescimento mundial tornou-se negativo - em uma escala em que qualquer coisa abaixo de mais de 3% é contado como uma recessão. Produziu, no oeste, uma fase de depressão mais do que em 1929-33, e mesmo agora, em meio a uma recuperação pálida, deixou economistas aterrorizados com a perspectiva de estagnação de longo prazo. Os tremores secundários na Europa estão rasgando o continente distante.

As soluções têm sido austeridade monetária excessiva. Mas isso não está funcionando. Nos países mais atingidos, o sistema de pensões foi destruído, a idade de aposentadoria está subiu para 70, e a educação está sendo privatizada de modo que os formandos enfrentam agora uma vida de alto custo. Os serviços estão sendo desmantelados e projetos de infraestrutura colocados em espera.

Segundo Mason, mesmo agora, muitas pessoas não conseguem compreender o verdadeiro significado da palavra "austeridade". Austeridade não é de oito anos de cortes de gastos, como no Reino Unido, ou mesmo a catástrofe social infligida à Grécia. Isso significa dirigir os salários, salários sociais e padrões de vida na Europa para baixo ao longo de décadas até se depararem com os da classe média na China e na Índia no caminho para cima.

Enquanto isso, na ausência de qualquer modelo alternativo, as condições para uma nova crise estão sendo montadas. Os salários reais caíram ou permaneceram estagnados no Japão, a sul da zona euro, nos EUA e no Reino Unido. A sombra do sistema bancário foi remontada, e é agora maior do que era em 2008. As novas regras exigem que os bancos segurem mais reservas que foram diluídas ou atrasadas. Enquanto isso, a lavagem de dinheiro é livre, e o dinheiro se concentra em 1% dos mais ricos

O neoliberalismo, então, se transformou em um sistema programado para provocar falhas catastróficas recorrentes. Pior do que isso, ele quebrou o padrão do capitalismo industrial em que uma crise econômica estimula novas formas de inovação tecnológica que beneficiam todo mundo.

Isso é porque o neoliberalismo foi o primeiro modelo econômico em 200 anos a retomar as bases da supressão dos salários e quebrando o poder social e resistência da classe trabalhadora. Se formos analisar os períodos de descolagem estudados pelos teóricos de ciclo longo - a década de 1850 na Europa, os anos 1900 e 1950 em todo o mundo - foi a força de trabalho organizado, que forçou os empresários e as empresas a parar de tentar reviver modelos de negócios ultrapassados através do corte de salários, e de inovar seu caminho para uma nova forma de capitalismo.

O resultado é que, em cada subida, encontramos uma síntese de automação, salários mais altos e consumo de maior valor. Hoje não há nenhuma pressão da força de trabalho e da tecnologia no centro dessa onda de inovação não exige a criação de gastos de maior consumo, ou o re-emprego da força de trabalho na idade de novos empregos. A informação é uma máquina para moer o preço das coisas mais baixas e reduzindo o tempo de trabalho necessário para manter a vida no planeta.

Para ele, como resultado, grande parte da classe empresarial torna-se neo-luditas (membro de organizações trabalhadoras na Inglaterra do século 19 que se opunham a revolução industrial e destruíam máquinas que na opinião deles estavam acabando com o seu meio de sustento). Confrontado com a possibilidade de criar laboratórios de gene-sequenciamento, eles ao invés de abrirem contratos de cafés, bares, unhas e empresas de limpeza: o sistema bancário, o sistema de planejamento e tardio neoliberal recompensa cultura acima de tudo, e não o criador de baixo valor, de longas horas empregos.

A inovação está acontecendo, mas não tem, até agora, acionado a quinta longa ascensão do capitalismo de que a teoria de ciclo longo deveria esperar. As razões encontram-se na natureza específica da tecnologia da informação.

Segundo ele, estamos cercados e não apenas por máquinas inteligentes, mas por uma nova camada da realidade centrada em informações. Considere um avião de passageiros: um computador que voa; ele foi projetado, testado e "virtualmente fabricado" milhões de vezes; ele está disparando de volta a informação em tempo real aos seus fabricantes. A bordo são pessoas olhando de soslaio para telas conectadas, em alguns países por sorte, para a internet.

Visto a partir do solo é o mesmo pássaro de metal branco como na era James Bond. Mas agora é tanto uma máquina inteligente e um nó em uma rede. Ele tem um conteúdo de informação e está adicionando "valor da informação", bem como valor físico para o mundo. Em um voo de negócios lotado, quando todo mundo está olhando para Excel ou Powerpoint, a cabine de passageiros é melhor entendida como uma fábrica de informações.

O autor faz a indagação: Mas o que é toda essa informação que vale a pena? Você não vai encontrar uma resposta nas contas: a propriedade intelectual está avaliada em normas de contabilidade modernas por adivinhação. Um estudo do Instituto SAS em 2013 descobriu que, a fim de colocar um valor em dados, nem o custo da recolha, nem o valor de mercado ou o rendimento futuro do que poderiam ser adequadamente calculados. Só através de uma forma de contabilidade que incluiu benefícios não-econômicos e riscos, poderia empresas realmente explicar aos seus acionistas que seus dados eram realmente valiam a pena. Algo está quebrado na lógica que usamos para valorizar a coisa mais importante no mundo moderno.

Na opinão do economista e escritor, o grande avanço tecnológico do início do século 21 é composto não só de novos objetos e processos, mas de antigos feitos inteligentes. O conteúdo dos produtos do conhecimento é cada vez mais valioso do que as coisas físicas que são usadas para produzi-los. Mas é um valor medido como utilidade, não trocado ou valor patrimonial. Na década de 1990 os economistas e técnicos começaram a ter o mesmo pensamento ao mesmo tempo: que este novo papel para a informação estava criando um novo "terceiro" tipo, do capitalismo - como diferente de capitalismo industrial como o capitalismo industrial era para o comerciante e escravo do capitalismo dos séculos 17 e 18. Mas eles têm se esforçado para descrever a dinâmica do novo capitalismo "cognitivo". E por uma razão. Sua dinâmica é profundamente não-capitalista.

Durante e logo após a Segunda Guerra Mundial, os economistas viram informações simplesmente como um "bem público". O governo dos EUA ainda decretou que nenhum lucro deve ser feito de patentes, apenas a partir do próprio processo de produção. Então nós começamos a entender a propriedade intelectual. Em 1962, Kenneth Arrow, o guru da economia principal, disse que, em uma economia de mercado livre a fim de inventar coisas é criar direitos de propriedade intelectual. Ele observou: "precisamente na medida em que é bem-sucedido há uma subutilização da informação."

Você pode observar a verdade desta em todos os modelos de e-business já construído: monopolizar e proteger dados, capturar os dados sociais livres gerados pela interação do usuário, empurrar forças comerciais em áreas de produção de dados que eram não-comercial antes, mina os dados existentes para o valor preditivo - garantindo, sempre e em todos os lugares ninguém mais a empresa pode utilizar os resultados.

Segundo ele, se reafirmamos o princípio de seta em sentido inverso, as suas implicações revolucionárias são óbvias: se uma economia livre de mercado com propriedade intelectual leva à "subutilização da informação", em seguida, uma economia baseada na plena utilização da informação não pode tolerar o livre mercado ou de propriedade intelectual absoluta de direitos. Os modelos de negócios de todos os nossos gigantes digitais modernos são projetados para prevenir a abundância de informação.

No entanto, a informação é abundante. Bens de informação são livremente replicáveis. Uma vez que uma coisa é feita, ela pode ser copiada/colada infinitamente. A faixa de música ou o banco de dados gigante que você usa para construir um avião tem um custo de produção; mas seu custo de reprodução cai para zero. Portanto, se o mecanismo normal de preços do capitalismo prevalece ao longo do tempo, seu preço irá cair para zero, também.

Para os últimos 25 anos a economia vem lutando com esse problema: todos os recursos de economia do grosso da população de uma condição de escassez, mas a força mais dinâmica no nosso mundo moderno é abundante e, como diria o hippy gênio Stewart Brand, “uma vez colocado, quer ser livre".

Ele destaca que há, a par do mundo de informação e vigilância criado por corporações e governos, uma dinâmica diferente crescendo em torno da informação monopolizada: a informação como um bem social, livre no ponto de uso, incapaz de ser propriedade ou explorados por preços. Eu pesquisei as tentativas feitas por economistas e gurus de negócios para construir uma estrutura para compreender a dinâmica de uma economia baseada na abundante, informações socialmente realizada. Mas na verdade foi imaginado por um economista do século 19 na era do telégrafo e do motor a vapor. O nome dele? Karl Marx.

A cena é Kentish Town, Londres, em fevereiro de 1858, por volta de 4h. Marx é um homem procurado na Alemanha e tem um trabalho duro de rabiscar o pensamento-experiências e notas. Quando eles finalmente começaram a ver o que Marx estava escrevendo naquela noite, os intelectuais de esquerda da década de 1960 admitiram que "desafiaram cada interpretação séria de Marx ainda na concepção". As anotações são chamadas de "O Fragmento sobre Máquinas".

No "Fragmento" Marx imagina uma economia em que o principal papel das máquinas é produzir, e o principal papel das pessoas é supervisioná-las. Para ele ficou claro que, em tal economia, a principal força produtiva seria a da informação. O poder produtivo de tais máquinas como a automatizada máquina de algodão-spinning, o telégrafo e a locomotiva a vapor não dependem da quantidade de trabalho que levou para produzi-los, mas sobre o estado do conhecimento social. Organização e conhecimento, em outras palavras, deram a maior contribuição para o poder produtivo do que o trabalho de fazer e operar as máquinas.

Dado que o marxismo era tornar-se - uma teoria da exploração baseada no roubo do tempo de trabalho - esta é uma afirmação revolucionária. Ele sugere que, uma vez que o conhecimento se torna uma força produtiva em seu próprio direito, superando o trabalho real gasto na criação de uma máquina, a grande questão não se torna a dos "salários contra lucros", mas quem controla, o que Marx chamou de "poder do conhecimento".

Para Mason, em uma economia em que as máquinas fazem a maioria do trabalho, a natureza do conhecimento trancado dentro das máquinas deve, escreve ele, ser "social". Em um experimento de pensamento no fim da tarde, Marx imaginou o ponto final dessa trajetória: a criação de uma "máquina ideal", que dura para sempre e não custa nada. Uma máquina que poderia ser construída por nada seria, segundo ele, não acrescenta valor em tudo para o processo de produção e rapidamente, ao longo de vários períodos contabilísticos, reduzir os custos de preços, lucros e trabalhistas de tudo o que tocava.

Depois de entender que a informação é física, e que o software é uma máquina, e que o armazenamento, largura de banda e poder de processamento estão em colapso no preço a taxas exponenciais, o valor do pensamento de Marx se torna claro. Estamos rodeados por máquinas que custam nada e poderia, se eles quisessem, durar para sempre.

O economista ressalta que nessas reflexões, não publicadas até meados do século 20, Marx imaginou informações chegadas ao ser armazenadas e compartilhadas em algo chamado um "intelecto geral" - que era a mente de todo mundo na Terra conectados por conhecimento social, na qual todos os benefícios de upgrade seriam de todos . Em suma, ele tinha imaginado algo próximo a economia da informação em que vivemos. E, escreveu ele, sua existência iria "explodir o alto capitalismo".

Com o terreno alterado, o caminho antigo para além do capitalismo imaginado pela esquerda do século 20 é perdido.

De acordo com ele, um caminho diferente abriu. Produção colaborativa, utilizando tecnologia de rede para produzir bens e serviços que só funcionam quando são livres, ou compartilhados, define a rota para além do sistema de mercado. Ele vai precisar do estado para criar o quadro - da mesma forma que criou o enquadramento para o trabalho nas fábricas, as moedas de som e de livre comércio no início do século 19. O setor pós-capitalista é provável que coexista com o sector de mercado por décadas, mas a grande mudança está acontecendo.

As redes restauraram a "granularidade" ao projeto pós-capitalista. Ou seja, eles podem ser a base de um sistema de não-mercado que se replica, que não precisa ser criado de novo todas as manhãs na tela do computador de um comissário.

A transição vai envolver o Estado, o mercado e a produção colaborativa para além do mercado. Mas para que isso aconteça, todo o projeto de esquerda, de grupos de protesto para os partidos social-democratas e liberais do grosso da população, terá de ser reconfigurado. Na verdade, uma vez que as pessoas entendam a lógica da transição pós-capitalista, tais ideias não serão mais a propriedade de esquerda - mas de um movimento muito mais amplo, para o qual vamos precisar de novos rótulos.

Quem pode fazer isso acontecer? No antigo projeto de esquerda foi a classe trabalhadora industrial. Mais de 200 anos atrás, o jornalista radical John Thelwall advertiu os homens que construíram as fábricas inglesas que eles haviam criado uma forma nova e perigosa de democracia: "Cada grande oficina e oficina é uma espécie de sociedade política, que nenhum ato do parlamento pode silenciar, e não dispersa o magistrado"

Mason concluiu que hoje toda a sociedade é uma fábrica. Todos nós participamos na criação e recriação das marcas, normas e instituições que nos cercam. Ao mesmo tempo, as redes de comunicação vitais para o trabalho todos os dias e lucro estão zumbindo com conhecimento compartilhado e descontentamento. Hoje é a rede - como a oficina de 200 anos atrás - que "não pode silenciar ou dispersar".

É verdade que os estados podem encerrar Facebook, Twitter, até mesmo toda a internet e rede móvel em tempos de crise, paralisando a economia no processo. E eles podem armazenar e monitorar cada kilobyte de informações que produzimos. Mas eles não podem impor novamente o hierárquico, orientando a propaganda e a sociedade ignorante de 50 anos, exceto - como na China, a Coreia do Norte ou o Irã - por estar fora de partes fundamentais da vida moderna. Seria, como sociólogo Manuel Castells coloca, como a tentativa de-eletrificar um país.

Com a criação de milhões de pessoas em rede, financeiramente exploradas, mas com toda a inteligência humana a um polegar-furto de distância, o info-capitalismo criou um novo agente de mudança na história: o ser humano educado e conectado.

Este será mais do que apenas uma transição econômica. Há, é claro, as tarefas paralelas e urgentes de descarbonizar o mundo e lidar com timebombs demográficas e fiscais. Mas eu estou concentrando-me na transição econômica desencadeada por informações, porque, até agora, tem sido marginalizada. Peer-to-peer tornou-se rotulado como um nicho obsessão por visionários, enquanto os "big boys" da economia de esquerda continuam criticando a austeridade.

Na verdade, no terreno em lugares como a Grécia, a resistência à austeridade e à criação de "redes que você não pode optar em" - como um ativista colocou para mim - andam de mãos dadas. Acima de tudo, o pós-capitalismo como um conceito está sobre as novas formas de comportamento humano que a economia convencional dificilmente reconhece como relevante.

O escritor indaga como podemos visualizar a transição à frente? O único paralelo coerente que temos é a substituição do feudalismo pelo capitalismo - e graças ao trabalho de epidemiologistas, geneticistas e analistas de dados, sabemos muito mais sobre essa transição do que fizemos há 50 anos, quando foi "propriedade" das ciências sociais. A primeira coisa que temos de reconhecer é: diferentes modos de produção são estruturados em torno de coisas diferentes. O feudalismo era um sistema econômico estruturado por costumes e leis sobre a "obrigação". O capitalismo foi estruturado por algo puramente econômica: o mercado. Podemos prever, a partir desta, que o pós-capitalismo - cuja pré-condição é abundância - não será simplesmente uma forma modificada de uma sociedade de mercado complexo. Mas só podemos começar a compreender em uma visão positiva que vai ser assim.

Mason diz não quer dizer que isso é uma maneira de evitar a pergunta: nos parâmetros econômicos gerais de uma sociedade pós, por exemplo, o ano de 2075, pode ser delineado? Mas se tal sociedade está estruturada em torno da libertação humana, não da economia, coisas imprevisíveis vão começar a moldá-la.

Por exemplo, a coisa mais óbvia a Shakespeare, escrita em 1600, foi que o mercado tinha convocado novos tipos de comportamento e moralidade. Por analogia, a mais óbvia coisa "econômica" para o Shakespeare de 2075 será a reviravolta total na relações de gênero, ou sexualidade, ou de saúde. Talvez não vá mesmo ser qualquer dramaturgo: talvez a própria natureza dos meios de comunicação que usamos para contar histórias vai mudar - da mesma forma que mudou em Londres elisabetana, quando os primeiros teatros públicos foram construídos.

Pense na diferença entre, digamos, Horatio em Hamlet e um personagem, como Daniel Doyce em Little Dorrit, de Dickens. Ambos carregam consigo uma obsessão característica de sua idade - Horatio está obcecado com a filosofia humanista; Doyce está obcecado com a patente de sua invenção. Não pode haver personagem como Doyce em Shakespeare; ele poderia, na melhor das hipóteses, obter um pequeno papel como uma figura cômica da classe trabalhadora. No entanto, no momento em que Dickens descreveu Doyce, a maioria de seus leitores conheciam alguém como ele. Assim como Shakespeare não poderia ter imaginado Doyce, por isso, também não pode imaginar o tipo de sociedade de seres humanos que irá produzir, uma vez que, a economia não é mais central para a vida. Mas podemos ver as suas formas pré-figurativas na vida dos jovens de todo o mundo, quebrando barreiras do século 20 em torno da sexualidade, trabalho, criatividade e auto.

O economista explica que o modelo feudal da agricultura colidia, em primeiro lugar, com os limites ambientais e, em seguida, com um choque externo maciço - a Peste Negra. Depois disso, houve um choque demográfico: muito poucos trabalhadores para a terra, que elevou seus salários e fez o antigo sistema feudal obrigação impossível de aplicar. A escassez de trabalho forçado também é inovação tecnológica. As novas tecnologias que sustentaram a ascensão do capitalismo mercantil foram os que estimularam o comércio (de impressão e contabilidade), a criação de riqueza comerciáveis (mineração, a bússola e navios rápidos) e produtividade (matemática e o método científico).

Presente durante todo o processo era algo que parece incidental ao antigo sistema - dinheiro e de crédito - mas que foi realmente destinado a se tornar a base do novo sistema. No feudalismo, muitas leis e costumes foram realmente moldadas em torno, ignorando dinheiro; crédito foi, em alta feudalismo, visto como pecaminoso. Então, quando o dinheiro e o crédito estourarem através das fronteiras para criar um sistema de mercado, ele é sentida como uma revolução. Então, o que deu ao novo sistema sua energia foi a descoberta de uma fonte quase ilimitada de riqueza livre nas Américas.

A combinação de todos esses fatores levou um conjunto de pessoas que tinham sido marginalizados sob o feudalismo - humanistas, cientistas, artesãos, advogados, pregadores radicais e dramaturgos boêmios, como Shakespeare - e colocá-los na cabeça de uma transformação social. Em momentos-chave, embora timidamente no início, o estado parou de impedir a mudança para promovê-lo.

Hoje, a coisa que está corroendo o capitalismo, mal racionalizada pela economia principal, é a informação. A maioria das leis relativas à informação define o direito das empresas de armazená-la e ao direito dos Estados de acessá-la, independentemente de os direitos humanos dos cidadãos. O equivalente da imprensa e do método científico é a tecnologia da informação e suas repercussões negativas sobre todas as outras tecnologias, da genética aos cuidados de saúde à agricultura ao cinema, onde ele está reduzindo rapidamente os custos.

Segundo Mason, o equivalente moderno da longa estagnação do fim do feudalismo é a paralisação da terceira revolução industrial, onde em vez de rapidamente automatizar trabalho fora da existência, estamos reduzidos a criar o que chama David Graeber “de empregos de merda" com salários baixos. E muitas economias estão estagnadas.

Qual é o equivalente da nova fonte de riqueza livre? Não é exatamente a riqueza: são as "externalidades" - o material livre e bem-estar gerado pela interação em rede. É o aumento da produção de mercado, de informações, de redes de pares e as empresas não gerenciadas. Sobre a internet, o economista francês Yann Moulier-Boutang diz, é "tanto no navio e no mar" quando se trata de o equivalente moderno da descoberta do novo mundo. Na verdade, ele é o navio, a bússola, o oceano e o ouro.

Os choques externos dos dias modernos são claros: esgotamento da energia, alterações climáticas, o envelhecimento da população e migração. Eles estão alterando a dinâmica do capitalismo e tornando-o inviável no longo prazo. Eles ainda não tiveram o mesmo impacto que a Peste Negra - mas, como vimos em Nova Orleans em 2005, ele não leva a peste bubônica para destruir a ordem social e infraestrutura funcional em uma sociedade complexa e financeiramente empobrecida.

Depois de entender a transição, desta forma, a necessidade não é para um supercomputed Plano Quinquenal - mas um projeto, cujo objetivo deverá ser o de expandir essas tecnologias, modelos de negócio e comportamentos que se dissolvem as forças do mercado, socializam o conhecimento, erradicam a necessidade para o trabalho e empurram a economia para a abundância. Eu chamo-lhe Project Zero - porque os seus objetivos são um sistema de energia carbono-zero; a produção de máquinas, produtos e serviços com zero custos marginais; e a redução do tempo de trabalho necessário o mais próximo possível de zero.

Para ele, a maioria dos esquerdistas do século 20 acreditava que eles não têm o luxo de uma transição gestão: era um artigo de fé para eles que nada do sistema vindo poderia existir dentro do velho - embora a classe trabalhadora sempre tentasse criar uma vida alternativa dentro e "apesar de" o capitalismo. Como resultado, uma vez que a possibilidade de uma transição de estilo soviético desapareceu, a esquerda moderna ficou preocupada simplesmente com coisas opostas: a privatização dos cuidados de saúde, as leis anti-sindicais, fracking - a lista é longa.

Se eu estiver certo, o foco lógico para suportes de pós-capitalismo é construir alternativas dentro do sistema; usar o poder governamental de uma forma radical e perturbadora; e dirigir todas as ações para a transição - não a defesa de elementos aleatórios do sistema antigo. Nós temos que aprender o que é urgente e o que é importante, e que às vezes eles não coincidem.

O poder da imaginação se tornará crítica. Em uma sociedade de informação, nenhum pensamento, debate ou sonho é desperdiçado - seja concebido em um acampamento, prisão ou o espaço de tabela de futebol de uma empresa startup.

Como com a fabricação virtual, na transição para o pós-capitalismo o trabalho realizado na fase de projeto pode reduzir erros na fase de implementação. E o design do mundo pós-capitalista como com o software, pode ser modular. Diferentes pessoas podem trabalhar com ele em lugares diferentes, em diferentes velocidades, com relativa autonomia do outro. Se eu pudesse convocar uma coisa à existência de graça seria uma instituição global que modelou o capitalismo corretamente: um modelo de código aberto de toda a economia; oficial, cinza e preto. Cada experimento executado através poderia enriquecê-lo; seria open source e com tantos pontos de dados como os modelos climáticos mais complexos.

Ele destaca que a principal contradição hoje é entre a possibilidade de liberdade, bens abundantes e informações; e um sistema de monopólios, bancos e governos tentando manter as coisas privadas, escassas e comerciais. Tudo se resume à luta entre a rede e a hierarquia: entre as velhas formas de sociedade moldadas em torno de capitalismo e novas formas de sociedade que prefiguram o que vem a seguir.

É utópico acreditar que estamos à beira de uma evolução para além do capitalismo? Vivemos em um mundo em que homens e mulheres homossexuais podem se casar, e em que a contracepção, no espaço de 50 anos, fez a média das mulheres da classe trabalhadora mais livre do que a libertina mais louca da era Bloomsbury. Por que, então, é tão difícil imaginar encontrar a liberdade econômica?

São as elites - tomadas do seu mundo escuro - cujo projeto parece tão desesperado quanto o das seitas milenaristas do século 19. A democracia de esquadrões de choque, políticos corruptos, jornais controlados pelo magnata e o estado de vigilância parece tão falso e frágil como a Alemanha Oriental há 30 anos.

Todas as leituras de história humana têm que permitir a possibilidade de um resultado negativo. Ele nos persegue no filme de zumbi, o filme-catástrofe, no deserto pós-apocalíptico de filmes como The Road ou Elysium. Mas por que não deveríamos formar uma imagem da vida ideal, construída a partir de informação abundante, o trabalho não-hierárquico e da dissociação do trabalho de salários?

Mason diz que milhões de pessoas estão começando a perceber que foi vendido um sonho em desacordo com o que a realidade pode entregar. A resposta deles é a raiva - e retiro para formas nacionais do capitalismo que só pode destruir o mundo à parte. Observando estes surgem a partir do pró-Grexit esquerda facções no Syriza para o Front National e o isolacionismo do direito americano tem sido como assistir os pesadelos que tivemos durante a crise do Lehman Brothers se tornar realidade.

Precisamos mais do que apenas um monte de sonhos utópicos e projetos horizontais de pequena escala. Precisamos de um projeto baseado na razão, provas e projetos testáveis, que corta com o grão de história e é sustentável pelo planeta. E precisamos começar com ele.





Fonte: JORNAL DO BRASIL