quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ecos dos Protesto VI

O Ataulfo Merval  no Globo, desta quarta-feira, já construiu o  argumento “pelo alto”: 
- proibir pessoa jurídica( empresas) de irrigar o bolso de candidato é privilegiar “os partidos e não os candidatos, num momento em que as ruas  pedem menos forças para os partidos”. 
Nada mais cristalino, não, amigo navegante ? 
Como a Big House( velha mídia e oposição) não tem partido, ferro no PT, o único que, de fato, existe ! E grana no bolso dos candidatos amigos. 
Ataulfo Merval, agora, é “consultor do Ministro Fux 
Fonte: CONVERSA AFIADA ( palavras sublinhadas foram incluídas por este blogue)


Menos força para partidos políticos (portas abertas para a inexistência de partidos ) é trilhar um caminho para o totalitarismo.

O globo, através de seu colunista imortal, flerta com um regime totalitário para o país. 

Saudades ? 

Durante anos a fio , Globo e toda a velha mídia batem na tecla de que partidos políticos são desnecessários.

Esse mantra totalitário tem como alvo os partidos fortes, oriundos das lutas do povo e, como sabe o caro leitor, se vem do povo não serve na globo.

No contexto de partidos fortes como definido acima, não se pode incluir nenhum partido de oposição.

O verde neoliberal nasceu nas areias das praias do Leblon e Ipanema entre longos aplausos ao por do sol.

O DEM veio de gabinetes  de empresários e de militares.

O ninho da oposição, no caso o PSDB nasceu em gabinetes do Congresso Nacional pela barriga do PMDB.

Não surgiram de lutas populares ( mesmo que poucos de seus quadros dela tivessem participado) e sim de organizações elitistas.

Esses partidos estão promiscuamente alinhados com grandes corporações que irrigam  os bolsos de seus candidatos  e até mesmo as moléculas da cadeia proteica de seus dna"s. 
 
A base de um sistema político forte está em partidos fortes, bem definidos em seus conteúdos e ideologias,e não o contrário com deseja o imortal totalitário.

Partidos políticos fortes representam , de fato, uma parcela da sociedade.

Não é pelo carisma de aventureiros, salvadores da pátria  irrigados pelo poder econômico e pendurados em legendas de aluguel que o cidadão deve ser chamado para o voto.

O voto democrático deve se dar em conteúdos programáticos bem definidos, onde pessoas afins estão reunidas e serão escolhidas para fazer valer esses conteúdos.

Assim sendo, não é o indivíduo, mas sim uma lista de candidatos de um partido que é escolhida.

Para que isso aconteça, e esperamos ( eu e o caro leitor) que aconteça com a reforma política que se inicia, os partidos devem ter uma identidade bem definida ( sem máscaras ninja) e somente com  recursos públicos para o financiamento das campanhas.

O imortal da globo, com seu texto indecente, defende a turma que cobre o rosto com máscaras e ainda atribuiu  a esse grupo a totalidade da voz  das ruas.

A Globo esculacha a política
e não quer reformá-la


terça-feira, 25 de junho de 2013

Ecos dos Protestos V

Dirceu: vamos às ruas pelo plebiscito

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Plebiscito e Constituinte:  Ampliar a Voz das Ruas na Democracia. 
SOBERANIA POPULAR É INCONSTITUCIONAL? O QUE ELES QUEREM? UM NAPOLEÃO DE TOGA.   
"O segundo pacto é em torno da construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular e amplie os horizontes da cidadania. Esse tema, todos nós sabemos, já entrou e saiu da pauta do país por várias vezes, e é necessário que (...) tenhamos a iniciativa de romper o impasse", disse a Presidenta Dilma Rousseff, nesta 2ª feira, ao propor um Plebiscito para convocar uma Constituinte exclusiva, capaz de realizar uma 'ampla e profunda' reforma política. Um aggiornamento  da democracia brasileira, em sintonia com os anseios sinceros da rua por mais participação e menor influencia do dinheiro grosso no sistema político nacional. A   presidenta Dilma desenhou o escopo de um grande debate nacional, capaz de incorporar as vozes e inquietações das ruas. Cumpre às administrações locais avançarem nessa direção criando contrapartidas de ampliação da democracia ali onde a vida acontece, na gestão das cidades. A sorte de prefeitos e gestões progressistas depende desse desassombro. Trata-se de abrir canais de escuta forte da cidadania. Não canais ornamentais, mas instrumentos relevantes e críveis de poder  sobre o orçamento. O PT tem experiências a resgatar; a disseminação da tecnologia permite, hoje, mais que ontem, submeter a gestão da cidade à soberania dos cidadãos. A Presidenta Dilma respondeu com perspicácia histórica ao clamor das ruas. Disparou na direção certa. A questão que aglutina a fragmentação das bandeiras desordenadas do nosso tempo é o poder. Todo o processo de globalização e financeirização apoia-se na captura da soberania popular pelo dinheiro grosso. Governos se emasculam. O voto se desmoraliza. Os partidos se descarnam. A existência se acinzenta. A mídia conservadora é a torre de vigia desse sequestro (leia a coluna de Venício Lima; nesta pág). O poder democrático da sociedade sobre ela mesma se esfarela. Ou ele se amplia, ou vence a exaustão caótica. E com ela a bandeira já  sussurrada pela direita e por seus ventríloquos obsequiosos: 'ordem e um Napoleão de toga'. (Leia sobre o significado da Constituinte no blog do Emir. E também: Boaventura Santos, ' A grande oportunidade'. E ainda: 'A tarefa mais urgente' e 'A resposta é mais democracia')

(Carta Maior;3ª feira,25/06/2013)
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Opinião: Dilma propõe participação popular e oposição reclama

Plebiscito para reforma política tem que ser amplo

A proposta de Dilma só estará completa se entre as questões que deverão ser colocadas em discussão no plebiscito estejam também o fim do nepotismo em todas as esferas de poder; a redução do número de parlamentares e melhoria da representatividade; o fim da indicação dos ministros do poder judiciário, para se evitar que haja votações tendenciosas de processos que envolvam interesse de toda a nação, e mais rigidez e transparência na doação de verbas para campanhas políticas.
Esses pontos já estão sendo debatidos nas ruas, estão nos cartazes dos manifestantes e não há mais como retardar essas discussões. O nepotismo e a falta de transparência na doação para campanhas representam uma enfermidade para qualquer democracia. A condição que o país atingiu nas últimas décadas, desde a redemocratização em 1985, não permite que regras que já deveriam estar extintas há muito tempo continuem emperrando seu desenvolvimento político, econômico e social.
Mudanças sempre incomodam, principalmente quando se mexe em interesses de uma minoria que tem poder. A proposta da presidente desagradou bastante à oposição e a ala conservadora do Congresso, inclusive da base aliada do governo. Um plebiscito para consulta popular poderia até ser aceito, se o resultado ficasse apenas na consulta. Mas, consulta e formação de uma constituinte formada por membros que não sejam do parlamento é inaceitável para esses políticos. A proposta foi rechaçada de forma veemente pelo tucanato de alta plumagem.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, embora tenha sido tratado com deferência pelo governo e ser consultado com antecedência sobre a proposta, disse, num primeiro momento, que concordava com uma reforma política ampla, mas não com plebiscito. O cheiro de povo nunca adentra aos luxuosos apartamentos de Higienópolis porque incomoda. Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, também reclamou da forma como foi proposta a discussão sobre a reforma política.
O presidente do PSDB, no entanto, não entrou no mérito das dificuldades criadas pelos próprios políticos, ao defender interesses individuais, para se aprovar uma reforma pela tramitação normal do parlamento. Ele também não lembrou a falta de iniciativa do Congresso Nacional para legislar, deixando um espaço em aberto nos últimos anos, inclusive durante o governo dos tucanos, que vem sendo preenchido pelo Supremo Tribunal Federal. Essa disfunção do poder judiciário acaba distorcendo as relações dos três poderes da República.
Se havia críticas a Dilma pela sua falta de jogo de cintura, a presidente provou que está disposta a rebolar como passista de escola de samba ao encarar uma consulta popular. Já os que são contrários a essa ampla participação estão temerosos e começam a buscar uma saída, tendo como argumento a inconstitucionalidade de uma constituinte exclusiva. Seria medo? O fato é que a proposta de Dilma foi uma verdadeira jogada de “mestra”.

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oposição sente o tiro no peito

“Soberania popular” ? O Agripino foge mais disso que o Gilmar

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Constituinte: sai o infantil
e entra o time principal

Para as semi-finais, Dilma escalou os Sindicatos e os Partidos.

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Dilma tira a Constituição
do Gilmar e devolve ao povo !

O povo vai convocar a Constituinte e referendá-lo. Bye, bye Fux !

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Ecos dos Protestos IV

O pronunciamento da Presidenta Dilma, ontem, apresentando os cinco pontos de seu programa em atendimento as manifestações das ruas parece que desnorteou ainda a mais a velha imprensa.

Em um pronunciamento desse porte, no momento em que vive o país, era de se esperar que as emissoras de tv entrassem imediatamente após o pronunciamento com debatedores para analisar as propostas apresentadas pelo executivo, como é comum nas emissoras de tv em situações como essa.

Não foi o que se viu e, pior ainda, as emissoras globo e bandeirantes ignoraram o pronunciamento e imediatamente mostraram imagens aéreas de cidades onde aconteceriam novos protestos, principalmente o Rio de Janeiro, informando a população que os manifestantes já estavam se reunindo aguardando mais manifestantes para iniciar os protestos.

Ou seja, a velha mídia chamando os sem lideranças para as ruas.

Ontem, no jornal local aqui do Rio de Janeiro da Bandeirantes a repórter disponibizou generosos minutos para mostar um pequeno grupo andando por rua no centro da cidade em que conduziam uma faixa abre alas pedindo o fim da política e dos políticos,

Hoje, terça-feira 25.06.13, os jornais impressos ligados as organizações globo não escondem seu lado e destilam sua insatisfação pelo fato da Presidenta convocar a população para opinar sobre novas formas de organização política.

Globo se contorce para encontrar violações constitucionais na proposta do executivo que impeçam a participação popular.

O popular extra, fazendo jus a sua camada social , traz em primeira página fotos de manifestações onde aparece um manifestante portando um cartaz pedindo fora Dilma.

Durante as manifestações proliferaram cartazes pedindo a regulação da mídia e  mesmo negação da velha imprensa, como o que pode ser visto a seguir:



Como o caro leitor já percebeu, nada disso apareceu nos jornais ou nas telas de tv

Enquanto isso o crime organizado, percebendo que se pode fechar ruas , avenidas, portos e aeroprotos, sem que a polícia incomode resolveu também entrar em cena e reeditar os odiosos arrastões pelas ruas  e estabelecimentos comerciais da cidade, como ocorreu ontem na zona norte , mais precisamente no bairro de Bonsucesso.

Enquanto sem lideranças apartidárias e apolíticas estiverem disponíveis  o terrorismo midiático continuará ativo.



Ecos dos Protestos - III

No último final de semana uma manifestação ( mais uma) aqui no Rio de janeiro, na zona oeste da cidade, produziu cenas lamentáveis.

Um grupo de manifestantes, pobres, na maioria pretos, vestidos com bermudas, sandálias de dedo e com as camisas cobrindo os rostos, ao melhor estilo membros do crime organizado, invadiu e destruiu uma concessionária de automóveis, incluindo quase uma dúzia de veículos que ali se encontravam.

A reação da velha mídia foi imediata.

Classificou os manifestantes como vândalos e desordeiros e ainda ficou indignada com o grande prejuízo que o grupo causou para os empresários do local.  

Justa e perfeita a abordagem da velha mídia. 

Entretanto, no mesmo dia uma outra cena se repetia por mais um dia. 

Grupos de manifestantes bloquearam  todas as principais rodovias de acesso à cidade São Paulo, além dos acessos ao aeroporto internacional de Guarulhos. 

Uma tática clara de guerrilha, ou terrorismo, certamente elaborada por pessoas  que provavelmente não devem vestir bermudas, sandálias de dedos mas que também mantém os rostos muito bem escondidos. 

Tal bloqueio não só impede o ir e vir da população  de toda a cidade, como impossibilita a movimentação de carga para todos os estabelecimentos comerciais e industriais. 

Como o caro leitor sabe, a maioria dos estabelecimentos  trabalha com estoques mínimos, e a reposição desses estoques segue uma logística que tem por base uma técnica conhecida como just in time, ou seja, o estabelecimento recebe a mercadoria que é  utilizada/comercializada quase que imediatamente.

Imagine então , caro leitor, o gigantesco prejuízo para os empresários de toda a cidade de São Paulo e para a economia.  

Comparado com o prejuízo da concessionária invadida, o bloqueio das rodovias produziu um prejuízo infinitamente maior.   

E que fez a velha mídia ?

Apenas mostrou os bloqueios sem fazer nenhum tipo de comentário e análise sobre a tática de guerrilha, sem chamar os manifestantes de vândalos ou algo parecido  e sem mencionar o gigantesco prejuízo.

Fica claro, e o  caro leitor já percebeu, que existem manifestantes e coberturas midiáticas. 

No caso dos vândalos que invadiram a concessionária de automóveis , as imagens geradas pelas emissoras de tv deixam claro que se tratava de moradores de comunidades locais que se aproveitam das manifestações para produzir ações de vandalismo e furtos. 

Nesse caso, a velha mídia pede polícia.

Já os manifestantes que fecharam a cidade de São Paulo, a velha mídia nada diz a respeito.

Em meio aos vândalos da concessionária e aos órgãos infiltrados, o povo se manifesta nas ruas acreditando que a horizontalidade dos grupos ( grupos sem liderança) e o caráter apartidário das manifestações, garantem independência das manifestações. 

Desconhecem portanto,que suas manifestações, independente do caráter apartidário, são um ato político e em política, como disse Tancredo Neves, não existe vácuo, ou seja, não existe ausência de liderança. 

Sempre que essa ausência aparece alguém irá ocupá-la.

Assim sendo, fica claro para o caro leitor, a insistência da velha mídia em apresentar as manifestações como algo que rejeita a política e os políticos.

Ecos dos Protestos - II

Ontem, segunda feira 24.06.13, o jornal local aqui do Rio de Janeiro da Rede TV deu destaque para uma entrevista que foi uma pérola.

Alinhado com toda a velha mídia na investida fascista que clonou os protestos legítimos e que agora toma conta das ruas, o jornal da rede tv entrevistou um funcionário ( ou proprietário) de um estabelecimento comercial que vende as máscaras que tem sido usadas nas ruas pelos manifestantes.

É do conhecimento de todos que a maioria dos manifestantes envolvida em atos de vandalismo, furtos e mesmo terrorismo, estão usando máscaras para esconder os rostos.

E o que disse o entrevistado pela rede tv ?

"na realidade os manifestantes estão usando máscaras não para esconder os rostos , mas sim para revelar suas identidades "

Diante de tal declaração informo ao caro leitor que encerrarei , agora, essa postagem, pois são 12 horas e necessito almoçar para poder continuar com fome. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ecos dos Protestos - I

Ronaldo, o fenômeno, apareceu ontem ( 23.06.13) na primeira página do diário esportivo Lance.

O Diário enaltecia o ex-jogador como sendo "o novo", já que Ronaldo pedia o fim da roubalheira no país.

Ao lado da foto do fenômeno um outro ex -jogador, Paulo André, criticava a realização da copa do mundo no Brasil e foi apresentado pelo diário como sendo "o velho".

O velho e o novo , lado a lado, no que pode ser entendido como uma metáfora das tensões existentes atualmente no país e na manipulação da velha imprensa nos protestos.

O novo , que pede o fim da roubalheira assim como manifestantes guiados pela tv globo, é funcionaŕio da tv globo , membro do comitê organizador da copa ( ligado a CBF) e garoto, ou melhor, homem de meia idade propaganda de empresas que patrocinam o evento na tv globo.

É do conhecimento de todos que a relação de globo, CBF e empresas patrocinadoras de eventos esportivos no país tem sido alvo de várias denúncias de favorecimento , corrupção e práticas ilegais , a ponto de um atual candidato a presidência da CBF afirmar que a tv globo é um reduto de gângsters.

Cabe ainda lembrar as tentativas de parlamentares em criar uma CPI para investigar as práticas da CBF, o que não foi possível, ainda, por tratar-se a CBF uma entidade de caráter privado, assim como seus parceiros envolvidos .

Entretanto cabe lembrar que o futebol é parte da identidade do povo brasileiro.

O novo , segundo o diário Lance, comenta na tela da tv aquilo que ele ajudou a organizar e ainda esse "novo" faz propaganda de empresas envolvidas no evento que o novo trabalhou para criar.

Em suma, o novo é uma salada de conflitos de interesses que grita pelo fim da roubalheira, com crachás de empresas e entidade supostamente envolvidas em práticas ilegais.

O novo é um atentado a ética, uma hipocrisia ,o que não deixa de guardar uma semelhança como o mundo atual.

Acredito que Ronaldo tenha sido sincero em seu comentário sobre o fim da roubalheira, porém não se sabe de que roubalheira o fenômeno se refere.

Já o velho, é velho pois entende que o povo não vive apenas de pão e circo.

domingo, 23 de junho de 2013

Good Morning, Brazil

A TV organiza a massa

A mudança da grade de programação, com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”, na última quinta (20), é ainda mais emblemática. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para “entender” a situação.



19 jun 2013            
(*) Artigo publicado originalmente na Rede Brasil Atual.

"Este não foi um movimento partidário. Dele participaram os setores conscientes da vida política brasileira". (Editorial de O Globo, 2/4/1964)

A TV, chamada de “Príncipe Eletrônico” pelo sociólogo Octavio Ianni, está conduzindo as massa pelas ruas brasileiras. À internet coube o papel de convocar, à TV de conduzir.

Ao perceber que o movimento não tinha direção e poderia assumir bandeiras progressistas, as emissoras de TV, com a Globo à frente, passaram a conduzi-lo.

Nos primeiros dias, para as TVs, eram vândalos que estavam nas ruas e precisavam ser reprimidos. Reproduziam em linguagem popular o que pediam os editoriais da mídia impressa.

Não esperavam, no entanto, que o movimento ganhasse as proporções que ganhou. Longos anos de neoliberalismo exaltando o consumo e o individualismo tiraram de algumas gerações o prazer de fazer política voltada para a solidariedade e a transformação social.

Os partidos que poderiam ser eficientes canais de participação passaram a se preocupar mais com o jogo do poder do que com debate e o esclarecimento político, tão necessário na formação dos jovens.

Tudo isso estava engasgado. O movimento do passe livre serviu de destape. Reprimido com violência como queria a mídia, ele cresceu. Milhões foram às ruas em repúdio ao vandalismo policial daquela quinta-feira (13).

As bandeiras, ao se multiplicarem, diluíram. A história registra o surgimento, nesses momentos, de líderes carismáticos ou de militares bem armados para levar as massas à trágicas aventuras. Alemanha nos anos 1930 e o Brasil em 1964 são apenas dois exemplos.

Em 2013, quem assumiu esse papel foi a TV. Percebendo a grandeza física do movimento, mudou o discurso e passou a exaltar a “beleza” das manifestações. Ofereceu para elas as suas bandeiras voltadas para assediar o poder central.

O grito genérico contra a corrupção ecoa a tentativa de golpe contra o governo Lula em 2005, ensaiado pelos mesmos agentes de hoje. Naquela época o esforço era maior. A TV tinha de convencer a massa a ir para a rua. Em 2013 ela já estava caminhando, era só entregar as bandeiras.

É o que estão fazendo com todo empenho. A exaltação ao povo que “acordou” foi só o começo. O JN, na sexta-feira (14), censurou uma entrevista dada no Rio por uma integrante do Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian.

Enquanto ela falava dos ônibus, tudo bem. Mas a parte em que ela defendia a reforma agrária, a reforma política e o fim do latifúndio no Brasil foi cortada pela censura global. Esses temas não fazem parte das bandeiras da família Marinho.

A mudança da grade de programação, com a troca da novela pelas manifestações “ao vivo”, na última quinta (20), é ainda mais emblemática. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar “ligado na Globo” para “entender” a situação.

Tanto entenderam que às 20h30 centenas, se não milhares de pessoas, continuavam a sair das estações do Metrô na Avenida Paulista. Iam se juntar aos “apolíticos” que hostilizavam os militantes partidários insuflados por “pitbulls” (jovens parrudos) estrategicamente postados ao longo da avenida. Pela minha cabeça passaram imagens das brigadas nazistas vistas no cinema.

Os cartazes tinham de tudo. Alguém disse que era um “facebook” real. Cada um “postava” na cartolina a sua reivindicação. E a TV até disso se aproveitou.

Na sexta pela manhã, Ana Maria Braga ensinava como as mães deveriam orientar seus filhos na confecção desses cartazes. Como o Movimento pelo Passe Livre já disse que não iria mais convocar novas manifestações, parece que a Globo assumiu o comando. Quando será o próximo ato? Saiba na Globo.

Fustigado nas ruas e nas telas, o governo para responder, tem de se valer da mesma TV que o ataca. Julgou, como julgaram outros governos, que isso seria possível e por isso não constituiu canais alternativos de rádio e TV capazes de equilibrar a disputa informativa (a presidente Cristina Kirchner não entrou nessa).

Sem falar na regulamentação dos meios eletrônicos cujo projeto formulado ao final do governo Lula está engavetado. Se houvesse sido enviado ao Congresso e aprovado, outras vozes estariam no ar. Teríamos mais chance de evitar o golpe anunciado.


Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
 
 
Hoje, domingo 23.06.13, o jornal o globo destaca em  manchete de primeira página o seguinte:
" Juventude Desiludida"
De fato, globo acertou na manchete.
 
A juventude  em todo o mundo está desiludida e essa onda chegou aqui no Brasil.
 
Na Europa, nos EUA, nos países árabes, a juventude nas ruas demonstrou sua insatisfação.
 
Insatisfação com o que, especificamente ?
 
Em comum , independente se no Brasil, nos EUA, na Europa, na África e até mesmo na estação espacial em órbita da terra, todos os jovens estão desiludidos com a maneira de fazer política dos políticos atuais, com a destruição da natureza, com a falta de perspectiva no futuro, com a privatização de todos os serviços que transformam a vida em uma mercadoria, com o modelo político econômico hegemônico mundial, com o poder econômico representado pelas grandes corporações que orbitam  os governos e até mesmo dirigem os países  e em  essência são a  fonte da roubalheira e da corrupção em todos os cantos, com a democracia representativa que poucas possibilidades oferece para a participação direta do cidadão nas questões de interesse coletivo, etc..
.
Todas essas insatisfações, em maior ou menor grau dependendo do país ou região do planeta, estão presentes em todas as grandes manifestações pelo mundo.
 
O maio de 68 pós- moderno, como se refere o globo hoje em um de seus artigos, começou com o colapso do sistema mundo atual com a grave crise financeira de 2008 que continua nos dias atuais ceifando vidas em todos os continentes.
 
Os jovens nas ruas em todos os países mandam uma mensagem bem clara de rejeição ao mundo atual, claro, com as especificidades de cada país.
 
O jornal o globo, assim como toda a velha e ultrapassada mídia brasileira e mundial ,é defensor incondicional do sistema mundo atual, com seu modelo político corrupto ( que favorece grandes corporações com as de mídia, por exemplo) .
 
Assim sendo, o globo finge estar ao lado dos manifestantes com a intenção clara de redirecionar as manifestações.
 
Ao fazê-lo, o globo e toda a  velha mídia brasileira e mundial desejam o  oposto daquilo que os manifestantes reivindicam.
 
Para as grandes e ultrapassadas corporações de mídia o avanço da democracia, como desejam os manifestantes, é intolerável.
 
A mudança do modelo político econômico só é desejável para essas corporações se esse modelo aprofundar o ideário ortodoxo do neoliberalismo, ou seja, produzir mais e mais privatizações de todo o patrimônio do povo , como desejam com os recursos do pré-sal, com a saúde pública e com a educação.
 
A corrupção e a roubalheira, tão alardeada pela velha mídia como problemas graves do país, é fonte de enriquecimento e maior acumulação por parte das grandes corporações e de políticos em uma simbiose com  um fazer político eclipsado do povo.
 
A corrupção existe porque existem corruptores e corruptos, em uma ambiente onde a prática possa acontecer livremente.
 
Cabe lembrar que os grande ladrões corruptos  são protegidos pela velha mídia e enaltecidos como grandes inteligências , e ainda , quando acusados de seus crimes, são favorecidos com habeas corpus velozes produzidos por membros da suprema corte, o que nos leva a crer que o judiciário não é imaculado como se apresenta diante das generosas câmeras de tv  quando por ocasião de espetáculos jurídicos.
 
Possíveis salvadores da pátria togados se alimentam ,  e muito da corrupção, apesar das aparências.
 
O Poder hegemônico mundial, tanto o  econômico como o político, atua para conter todo e qualquer avanço da democracia e das liberdades e direitos do cidadão .
 
Isso pode ser visto, provado e comprovado nos países que buscam caminhos alternativos na política, na economia e na liberdade dos povos.
 
Falo dos países da América  Latina, laboratório progressista e de vanguarda do mundo decadente atual.
 
Assim sendo é de suma importância não se deixar confundir com as manifestações legítimas do povo ( que a velha mídia não apoia)  com as manifestações  que visam conter os avanços na América Latina, apesar das aparências.
 
A massa que a tv globo organiza, não passa pelo futuro que as massas do mundo desejam. 
 
Os jovens do Brasil  estão desiludidos e assim como os jovens de todo o mundo gritam que desejam um outro mundo.